Cristianismo e Feminismo: um ponto em comum

Eu estava empacada com a ideia de escrever mais um texto com a temática “É possível ser cristã e feminista?” quando percebi um fato: esse assunto, principalmente nos meios reformados, já é old news. Todo mundo já sabe que não dá (e, se você não sabe, recomendo que assista a este vídeo aqui). “Ah, Manu, então eu não posso defender a igualdade de direitos entre homem e mulher?” Você não precisa ser feminista para fazer isso. Deus foi o primeiro defensor dessa igualdade ao criar homem e mulher com exatamente o mesmo valor, ambos à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27). Além do mais, o Feminismo se tornou um movimento que apenas defende a igualdade de direitos na teoria, tendo uma atuação que vai da liberação sexual da mulher a passeatas defendendo o aborto, passando pela defesa à causa LGBT e da Ideologia de Gênero, entre tantas outras.

Porém, o reconhecimento de que o Feminismo não é conciliável com o Cristianismo é apenas o ponto inicial dessa discussão. A causa feminista se infiltrou de um jeito tão sutil dentro das igrejas que foram necessários muitos textos, artigos, estudos, livros, vídeos e sermões para que esse problema fosse identificado e remediado. Agora partimos para a próxima fase da questão: será que o Feminismo é mesmo tão distante assim do Evangelho? Não há nenhum ponto em comum? O que motivou as precursoras do movimento feminista a pensar daquela forma? É isso que analisaremos neste texto.

Um ponto em comum

Em seu necessário livro Feminilidade Radical, Carolyn McCulley humildemente reconhece que o Feminismo tem uma origem genuína. Ela afirma, e eu reitero, que:

Acontece que o feminismo está parcialmente certo. Os homens pecam. Eles podem diminuir as realizações das mulheres e limitar a liberdade delas por razões egoístas. Alguns homens abusam sexualmente de suas esposas e de seus filhos. Muitos homens degradam as mulheres através da pornografia. O feminismo não surgiu por causa de ofensas fabricadas. (pag. 37)

Seguindo adiante em sua preciosa obra, Carolyn faz um compilado sobre a vida de quatro grandes precursoras do movimento feminista e uma coisa chama a atenção na vida de três delas: o sofrimento. Elizabeth Cady Stanton tinha um casamento infeliz com um esposo insensível. Simone de Beauvoir se envolveu em um relacionamento abusivo com um homem sem escrúpulos que só lhe trouxe infelicidade. Betty Friedan afirmou viver um casamento baseado em “ódio dependente”, divorciou-se e, ao final da vida, arrependeu-se da separação. Todas elas sofreram de diversas formas, majoritariamente por causa de homens, e encontraram (ou criaram) na causa feminista um escape para a sua dor. Gostaria que você parasse por um segundo e se imaginasse tendo um marido insensível e desrespeitoso que, em vez de praticar uma liderança amorosa, exerce uma dominação isenta de amor e compreensão. Você também iria sofrer. Você também iria sentir raiva desse homem. Você também desejaria um escape. E, com isso, só podemos chegar a uma conclusão:

A base do Feminismo foi o sofrimento humano.

Seu próprio lar

Recentemente tive contato com uma música que, segundo a manchete, está indicada ao Grammy Latino. Ela se chama “Triste, Louca ou Má” e a letra diz o seguinte:

E um homem não me define

Minha casa não me define

Minha carne não me define

Eu sou meu próprio lar

Se eu tivesse lido essa letra antes de escutar a música, provavelmente teria feito cara feia, fechado a janela do Chrome e ido assistir a algum vídeo do Dois Dedos. Só que eu ouvi antes de ler e a música tem esse poder de nos fazer sentir aquilo que possivelmente rejeitaríamos racionalmente. E o que eu senti foi dor. O que eu vi na autora dessa letra foi uma mulher que já vivenciou o sofrimento e que precisou de um escape, mais ou menos como eu e você. Você também já sofreu, quem sabe por causa de um homem. Você também já quis um refúgio para essa dor, quem sabe provocada pelo seu pai ou um ex-namorado. Estamos falando de sofrimento. E a Bíblia afirma que o criador do Cristianismo foi “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Isaías 53.3). Logo:

O sofrimento é o ponto em comum entre o Cristianismo e o Feminismo.

Porém, é na solução para esse sofrimento que eles se separam irremediavelmente. A ideologia feminista enxergou o sofrimento humano e, precisando lidar com isso de alguma forma, colocou a culpa no homem. Os homens são opressores enquanto as mulheres são vítimas. Os homens só possuem maldade enquanto as mulheres são cheias de beleza, principalmente quando se unem em “sororidade”. Os homens destroem tudo, enquanto as mulheres são a única esperança de uma sociedade melhor.

Só que a lógica do Evangelho diz que não é bem assim. Os homens não são a desgraça da humanidade enquanto as mulheres são a salvação. Ambos são a desgraça pois ambos são cheios de destruição. Se o homem pecou ao oprimir, a mulher pecou em não perdoar. Se o homem errou ao dominar quem lhe era semelhante, a mulher também se equivocou ao se colocar no centro do universo. O Feminismo defende que o seu grande problema são os homens, enquanto o Evangelho deixa bem claro que o seu grande problema é a “natureza pecaminosa (Tiago 4.1-3), são as forças do mal (Efésios 6.12) e a sedução do mundo presente (1 João 2.15-17)” (Feminilidade Radical, pag. 38). E enquanto você não souber o verdadeiro problema, você não encontrará a verdadeira solução.

A partir dessa reflexão, acho que podemos ter uma visão um pouco mais branda no que se refere ao que leva mulheres (inclusive cristãs – inclusive eu, no passado) a achar o Feminismo tão atraente. O Feminismo, assim como o Cristianismo, oferece uma chance de redenção e salvação. Isso é tudo que uma mulher ferida pela sociedade, principalmente pelos homens, gostaria de ter. Porém, o Evangelho apresenta um caminho que vai muito além de responsabilizações e culpas. Ele apresenta uma promessa de redenção que diz que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8.28) e também que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Romanos 8.18). O Evangelho te liberta da necessidade de culpar alguém ou todo um grupo de pessoas pelas suas tragédias pessoais. O Evangelho te liberta da tentação de ser definida pelo seu sofrimento. Você sabe que Deus é Soberano. Você sabe que aquilo coopera para o seu bem. Você crê que Deus é bom mesmo quando você não consegue entender o que está acontecendo. Você é feliz e completa nEle, mesmo em meio à dor. Ele é a sua esperança e isso é suficiente.

CONCLUSÃO

O Feminismo é um movimento cuja origem está no sofrimento humano e, por desconhecerem o Evangelho, mulheres como Elizabeth Stanton e Simone de Beauvoir criaram um escape para sua dor dentro delas mesmas. A Palavra afirma que dentro de nós há apenas destruição e é por isso que precisamos de um Salvador para nos tirar desse estado de morte, delitos e pecados (Efésios 2.1). Diante disso, a única solução para a dor de qualquer mulher não é buscar o empoderamento e lutar contra o patriarcado, e sim, conhecer a redenção do Cristo que transforma o mal em bem. A maravilhosa e redentora proposta do Evangelho é que a mulher não seja mais “seu próprio lar”, e sim, que ela procure abrigo nAquele que levou sobre si todas as nossas dores (Isaías 53.4).

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Você tem dificuldade para orar?

Eu tenho, e muita.

Eu me converti aos 11 anos em uma igreja com tendências neopentecostais e zero conhecimento de uma tal de Teologia Reformada. Um dos únicos aspectos que me fazem crer que eu de fato me converti, mesmo tão nova e em um ambiente tão desfavorável a isso, é a simples convicção de pecado que tive no ato de minha entrega a Cristo. E, a partir desse momento, em 16 de abril de 2003, eu me tornei uma cristã. Só que havia um problema: eu estava em uma igreja que não havia me ensinado a ser cristã. Eu lembro claramente que, no dia seguinte ao da minha conversão, eu olhei para minha mãe e disse:

“Agora eu preciso ler a Bíblia, né?”

E foi aí que começou a minha saga dentro desse universo fascinante que é a devocional, a qual é constituída, genericamente, por leitura da Bíblia e oração. Se eu pensava que “precisava ler a Bíblia” e apenas isso, imaginem qual era o meu conceito de oração: algo abstrato, metafórico, solto no Universo, que precisava ser tirado da minha mente (distraída) e do meu coração (corrupto).

E foi com esse conceito que eu cheguei aos 26 anos, 14 anos após eu perceber que sequer precisava orar. Uma coisa precisa ser dita: todo crente PRECISA orar, e eu digo “precisa” no sentido de que é uma necessidade urgente do nosso ser. Mesmo sem saber orar (cognitivamente falando), eu sinto que, sem aquilo, não poderei prosseguir. E foi isso que me levou a buscar aprender mais sobre esse tema, visto que cansei de orações com um profundo sentimento de que eu estou fazendo tudo errado e/ou orações cheias de necessidade, mas carentes de vontade. E eis que eu descobri algo óbvio, porém extraordinário:

A Bíblia ensina a orar.

E ela o faz a partir de dois princípios:

  1. Ela literalmente traz orações para você se inspirar e, quem sabe, até copiar.

Existe um livro inteiro de orações chamado Salmos, além de inúmeras orações, súplicas, pedidos e expressões de louvor, desde Gênesis até Apocalipse. Com isso, a Palavra não só nos ensina a orar como nos mostra a dinâmica das orações que agradam a Deus. Se Davi se preocupa tanto em louvar ao Senhor, existe uma razão. Se Paulo ora tanto pelo bem das igrejas e da comunidade dos santos, fica aí a dica para nós. A Bíblia é uma verdadeira aula de oração. A sua devocional não deve ser leitura bíblica + oração. Ela deve conter as duas atividades de uma forma intimamente relacionada e dependente.

  1. Ela mostra quem você é e quem Deus é, e a partir disso, você tem uma base para suas orações autorais.

Ao contrário do que eu pensava, a oração não é uma coisa abstrata que você tira da sua cabeça do nada e cria de acordo com a aleatoriedade do seu raciocínio. A oração é um diálogo entre você e o seu Criador, logo, você precisa se conhecer (locutor) e conhecer a Ele (interlocutor) para que o processo de comunicação seja executado com sucesso, como acontece com qualquer outra conversa que você tem no seu dia-a-dia. Se você sabe que alguém é engenheiro, você não vai perguntar se é veterinário. Se você sabe que determinada pessoa tem problemas com os pais, você não vai iniciar a conversa falando sobre isso. No caso da oração, quem é o seu Deus? Ele é Todo-Poderoso (Apocalipse 4:8), então você pode pedir pela Sua intervenção para sair de uma situação difícil no trabalho. Ele é um Pai Perfeito (Mateus 5:48), então você pode confessar seus sentimentos mais profundos sem qualquer medo de rejeição. Ele é Bom e Misericordioso (Salmo 145:8), portanto, você deve louvá-Lo pela tão grande salvação que chegou a você somente por escolha dEle. E quem é você? Você é pecador (I João 1:8), portanto, achegue-se diante dEle em contrição e arrependimento. Você não pode fazer nada sem Ele (João 15:5), então peça pela Sua ajuda para executar suas atividades diárias. Você é filho de Deus (Romanos 8:16), comprado por um alto preço de sangue (I Coríntios 6:20), logo, a sua única atitude diante disso tudo é glorificá-Lo e exaltá-Lo com todo o seu coração.

Diante disso, eu afirmo que você não precisa se sentir inseguro e ansioso diante da necessidade de realizar uma oração. Apesar de sabermos que nossas súplicas sempre serão falhas e inapropriadas (Romanos 8:26), isso não tira a nossa responsabilidade de fazê-las, e o Senhor deixou caminhos claros em Sua Palavra para que supríssemos essa carência gritante das nossas almas. Você não precisa confiar no seu raciocínio disperso ou no seu coração corrupto para falar com o seu Pai. Confie em Sua Palavra. Essa é a melhor forma de fazer uma oração conforme a Sua Vontade, assim na Terra como no Céu.

A vida doméstica que as séries não mostram

Eu sempre fui nerd.

O negócio tá no sangue. Meu pai sempre foi apaixonado por games e filmes. Comecei pequena, com os animes, e hoje em dia sou uma entusiasta das séries. A ficção sempre fez parte da minha vida e, sendo assim, norteou a minha visão de mundo.

Só que todo esse universo fictício e cuidadosamente desenhado visando à perfeição acabou me trazendo uma espécie de negação da minha própria realidade. Eu nunca estava satisfeita, afinal, minha mãe não era tão legal como a Lorelai Gilmore e o meu pai não era tão divertido como o pai da Sakura Kinomoto. Eu não tinha avós tão generosos como a Rory, nem tios tão bondosos como a Elizabeth Bennet. Quando eu abria a porta do meu quarto, eu via uma casa mais ou menos, uma mãe reclamando por causa da lavagem dos pratos e um pai agitado pois quase teve um infarto ao falar com a moça do telemarketing. Só que eu podia abafar tudo isso, afinal, havia tantas coisas para me preocupar: faculdade, estágio, trabalhos, namoro. Não havia tempo para a minha própria casa.

Até que eu decidi estudar para concursos públicos. E todo mundo sabe que “concurseiros” acabam virando seres reclusos por tabela. E foi aí que eu, pela primeira vez na vida, me vi presa em casa com os respectivos integrantes dela. Eis que esses dois, que para mim eram quase estranhos até um dia desses, eram a única companhia que eu tinha.

A realidade caiu como uma bomba

De repente problemas como a lavagem de pratos e a esterilização das frutas se tornaram cotidianos para mim. De repente eu precisava cuidar da organização da casa e, quem sabe, até do almoço. De repente eu precisava lidar com meus pais bastante inquietos. Talvez você precise lidar com seu marido que não te ajuda tanto nas tarefas domésticas ou com o seu irmão que é conhecido pela arrogância. A vida doméstica possui desafios em duas frentes que se correlacionam: pessoas e ambiente.

Se você também possui uma forte vivência doméstica, você sabe que:

  1. Problemas com sujeiras, melecas e coisas nojentas em geral se tornam sua realidade;
  2. Você tem que lidar com todas as mínimas idiossincrasias que um ser humano pode conceber e percebe o quanto nós somos tendenciosos a brigar pelas coisas mais irrelevantes do universo;
  3. Você tem acesso à primeira fileira do espetáculo de imperfeições daqueles que moram debaixo do mesmo teto que você;
  4. Você precisa engolir a raiva 1, 10, 1 milhão e 600 mil vezes por dia;
  5. Seus pecados mais domesticados vêm à tona como em um show de horrores quase diário.

Não é bonito, não é desejável. Mas sabem o que eu tenho aprendido? Que é justamente nesse contexto de absurdos e extremos que o Senhor quer que eu (ou você) esteja, pois é exatamente em uma realidade de puro caos em que todos demonstram seu pior que você pode crescer, amadurecer e se tornar uma pessoa segundo a imagem de Cristo. Viver na realidade utópica das ficções não te permitirá isso. Pensar que a sua vida deveria ser que nem a do novo lançamento da Netflix não fará isso por você. Como você pode exercitar a sua nova criação estando imersa em universos fictícios? Como você pode amar, servir e perdoar se seu coração está em personagens que não existem de verdade?

A vida abundante acontece na mediocridade do cotidiano

Entrar em universos imaginários de vez em quando não é pecado. Se imaginar no castelo de Downton Abbey tomando um belo chá da tarde não é quebra de nenhum mandamento bíblico. Mas é preciso entender que o agir do Senhor ocorre na realidade da sua casa com o encanamento entupido e o ar condicionado quebrado há 3 meses. É quando sua mãe grita com você sem motivo ou quando seu marido não te ajuda na limpeza da casa pela 149ª vez. É na imperfeição, na feiura, no incômodo. Porque o Senhor escolheu ” as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e […] as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes” (1 Coríntios 1:27). E quer coisa mais louca do que uma vida doméstica constituída pelo inesperado e por seres humanos completamente imprevisíveis?

Por que é tão difícil ser misericordiosa com meu amado?

Eu comecei a namorar com 24 anos. É uma história de amor inusitada, mas ao contrário do que se pode pensar, não tão incomum. Durante os 24 anos de “preparação” para esse momento, eu pensei, senti, orei, imaginei, sonhei acordada (e dormindo também), conversei, debati, investiguei, analisei. E tudo isso me fez chegar ao dia 13 de julho de 2015 com incontáveis ideias, expectativas e certezas. Só que havia um problema com elas:

Elas ainda não haviam encontrado a realidade.

Quando esse encontro finalmente aconteceu, houve choque, dúvida, conflito. E uma das mais inesperadas surpresas que vieram com o “Sim, vamos namorar” foi uma dificuldade inerente de ser misericordiosa com o objeto do meu amor. Não me levem a mal: este não é um caso de jugo desigual ou pais contra o relacionamento. Tudo está nos conformes, exceto a realidade de que ele não é o rapaz sem rosto que eu imaginei durante 24 anos.

O “Sim”, seja a um pedido de namoro, noivado ou casamento, significa muito mais do que um “Eu te amo” diário. Ele também quer dizer “Você não é totalmente como eu imaginei”. E, a partir desse momento, há um pedido (na verdade, uma ordem) para que sirvamos, suportemos e tenhamos misericórdia e graça para com aqueles que dizemos amar. Sim, “dizemos”, pois muitas vezes esse amor fica apenas na mensagem do WhatsApp antes de dormir.

Papeis para o mal

Conhecer os papeis do homem e da mulher no casamento (e como seres humanos em geral) é uma exigência que todo cristão deve cumprir. Só que nosso coração pode transformar esse precioso conhecimento em pecado, nos fazendo achar que somos mais sábias, mais inteligentes, mais “crentes” ou superiores a alguém por “dominar” esse assunto, e, dentre as principais vítimas da nossa arrogância, está o nosso amado. Nosso coração está tão imerso em si mesmo que passamos a achar que o parâmetro somos nós, então se meu companheiro está fazendo aquém do que eu costumo fazer, que homem falho que ele é, não é verdade?

A nossa insatisfação vem, muito mais, do pecado do nosso próprio coração do que das falhas dele.

E é justamente por isso que é tão difícil sermos misericordiosas, graciosas e compassivas com nossos amados. Estamos constantemente insatisfeitas com seus defeitos e achando que eles nos devem alguma coisa por serem assim, então obviamente a única coisa a se fazer é julgar, criticar e reclamar, afinal, eles estão errados, eles precisam de conserto urgentemente… E enquanto nos deixamos levar por esse pecado, muitos outros estão escondidos em nosso coração e não os tratamos, não nos arrependemos e nem buscamos melhorar.

É bom que toda moça cristã deseje um esposo sábio, maduro na fé e capaz de lhe liderar em amor no casamento, mas… assim como você nem sempre será submissa e respeitosa, ele nem sempre saberá liderar. Ou organizar o culto doméstico. Ou lhe dar o melhor conselho. Ou ser o companheiro todo-poderoso com o qual você um dia sonhou. Antes de conhecermos nosso amado, pensamos que estamos desejando o melhor “para a glória de Deus”, mas esse melhor, na grande maioria das vezes, na verdade é uma forma de dizer:

O melhor para mim é o que não me traga conflitos, dor ou sofrimento de qualquer forma.

Força para ser misericordiosa

O “melhor”, para nós, significa segurança, conforto, comodidade, alegria 24 horas por dia e um companheiro que atenda a cada uma das nossas infinitas expectativas. Só que isso nunca esteve na agenda do Senhor. A intenção de Deus nunca foi que você não sofresse em seu relacionamento, e sim, que você crescesse de várias maneiras, e isso sim irá glorificar o Seu Santo Nome. O que Ele deseja é um relacionamento que te faça amadurecer e, assim, te torne mais parecida com Cristo. E quer maneira mais prática de fazer isso do que quebrando cada uma de suas expectativas equivocadas?

Acredito que se pedirmos a Deus para nos deixar mais conscientes sobre nosso pecado, consequentemente focaremos menos no pecado do outro e ainda teremos mais sabedoria para tratar as falhas e defeitos dele quando isso se fizer necessário. Nossa luta é contra o pecado, não contra quem dizemos amar. Devemos suplicar para que o Senhor tire de nosso coração a idolatria pelas nossas próprias idealizações e expectativas e transforme isso em amor por quem nosso amado realmente é, com todas as suas falhas e imperfeições. E, se realmente os amamos, seremos pacientes e tudo suportaremos.

(Inspirado no texto Give Your Suitor Some Grace)

A verdadeira razão pela qual não lemos a Bíblia

Através do meu trabalho com a Christian Standard Bible [n.t. uma tradução da Bíblia em Inglês contemporâneo], encontrei algumas estatísticas sobre leitura bíblica: 88% das famílias americanas possuem uma Bíblia, mas apenas 37% das pessoas leem uma vez por semana ou mais. As pessoas responderam que não leem suas Bíblias porque não têm tempo suficiente e lutam para entender as palavras.

Essas duas frustrações são compreensíveis e todos nós lutamos com elas. Porém, seriam elas as verdadeiras razões pelas quais as pessoas não estão lendo suas Bíblias?

A raiz do problema

Quando você para para pensar, deveríamos ficar realmente entusiasmados com a leitura da Bíblia. O Deus do universo nos deu sua Palavra. Ele poderia ter desistido quando O desobedecemos no Jardim, mas Ele não o fez. Ele nos procurou e falou conosco (Gênesis 3). Saber que nosso Deus gracioso nos deu sua Palavra deveria nos fazer desejar lê-la, mas, muitas vezes, isso não é suficiente.

Não lemos a Bíblia regularmente porque não entendemos como ela funciona. Muitas vezes pensamos que ela fala sobre nós e que a abertura da Escritura só é útil quando pensamos que precisamos dela. Não compreendemos o quão maravilhosa ela é.

Palavra que vive

Não devemos ler a Bíblia como fazemos com qualquer outro livro ou tratá-la como uma fonte de entretenimento. Em vez disso, devemos considerar o que torna a Escritura especial. Paulo diz a Timóteo:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra. (2 Timóteo 3:16,17)

Observe os verbos: a Escritura é inspirada por Deus e é útil. Não é que a Escritura foi inspirada, mas agora não é tão relevante. Ela foi, é e será inspirada e útil. Junte esta ideia com as poderosas palavras de Hebreus:

Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração. Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas. (Hebreus 4:12,13)

Mais uma vez, a Palavra de Deus é viva e é eficaz e é capaz de julgar os pensamentos do coração. Se Jesus é a Palavra de Deus (João 1:1) e Ele não está morto, então o poder da Palavra de Deus nas páginas da Escritura também não está morto.

Palavra que inspira a adoração

Através da revelação do Espírito Santo, nossos olhos espirituais são abertos à verdade sobrenatural e vivificante da Palavra viva de Deus. Quando abrimos suas páginas, a Bíblia fala conosco e nos chama a “provar e ver que o Senhor é bom” (Salmos 34:8). Em vez de ir à nossa Bíblia por uma migalha de sabedoria para nos conduzir ao longo do dia, devemos abri-la prontos para adorar o Deus que nos encontra lá.

Quer saber o que Deus pensa? Não apenas o que ele pensou, mas o que ele pensa? Abra sua Bíblia. O Espírito vive dentro de você para ajudá-lo a entender a vontade e o caráter de Deus, para ajudá-lo a provar e ver algo novo que você nunca viu antes. Uma passagem que você leu há cinco anos pode falar com você de forma diferente hoje, porque o Deus vivo fala com você através de sua Palavra viva, aqui e agora.

O Verbo que chamou a criação à existência e encheu os pulmões de Adão com oxigênio é a mesma Palavra que cria vida dentro de você. Ele ainda está falando com você porque você foi criado para Ele, e não vice-versa. Quando a leitura da Bíblia é só sobre você, ela se torna obsoleta, como um pão adormecido e duro. Mas quando você ouve de Deus e é atraído para adorá-lo em toda a sua glória, a leitura bíblica é o pão fresco da vida.

 

Por que não lemos nossas Bíblias? Porque nos esquecemos que a Palavra de Deus está viva. Abra a Bíblia não apenas para se inspirar, mas para exultar no Deus que fala.

Texto original: The Real Reason We Don’t Read Our Bibles

Deus não nos dá mais do que podemos suportar?

A dor, o sofrimento, a tristeza, a doença e a aflição são inevitáveis ​​neste mundo. Mas Deus nos deu uma maneira de encontrar esperança nos escombros da vida: a lamentação é como se fosse um túnel subterrâneo para a esperança.

Um livro inteiro da Bíblia é um exercício de lamentação perante o Senhor. Temos inúmeros salmos de lamentação. Então, por que atualmente não nos lamentamos mais na igreja? Por que colocamos fones de ouvido que bloqueiam o som externo sobre nossos corações, mantendo-nos ocupados para evitar a dor? Não nos ocupemos para evitar lamentar; aprendamos a lamentar corretamente.

Reaprendendo a nossa humanidade

É claro que queremos evitar o sofrimento, a aflição e o trauma, mas a realidade é que não podemos. Os efeitos de Adão e Eva provando daquela fruta ainda afetam a nós e ao mundo, como uma onda que nos alcança desde o episódio no Éden.

Todos que conhecemos e amamos retornarão ao pó. Membros da família ouvirão duras palavras de seus médicos. Grandes perdas atingirão amigos queridos. Nós iremos chorar. E fingir que podemos administrar nossos sofrimentos por conta própria não irá ajudar. Não fomos construídos para lidar com eles. Precisamos do corpo de Cristo – e precisamos do próprio Cristo, nosso Sumo Sacerdote cheio de empatia, o homem de dores, aquele que suportou nossa aflição.

Quando agimos como se pudéssemos lidar com nosso sofrimento por conta própria, cometemos idolatria – agindo como se fôssemos Deus, capazes em nós mesmos. Lamentar significa reaprender a nossa humanidade. Lamentar é admitir que não podemos lidar com isso, sabendo que precisamos do poder, misericórdia e graça de Deus. Se pudéssemos lidar com nossos sofrimentos, não precisaríamos de Jesus, sua cruz, seu poder e sua ressurreição. Lamentar é como nos afligimos e, ao mesmo tempo, não perdemos a esperança.

Mais do que você pode suportar

Você já escutou as pessoas dizendo: “Deus não vai te dar mais do que você pode suportar.” Errado. Escondido nesse provérbio barato está um senso de autossuficiência: “Eu vou conseguir”, ou “Eu deveria conseguir sozinho”. Mas o cristianismo é o abandono da nossa autossuficiência: “Deus, eu preciso de Ti!”. Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza (2 Coríntios 12:9). Para todas as vezes em que dizemos “Eu não consigo”, existe o nosso Deus que pode e o nosso Salvador que já fez.

Cristianismo significar tomar a nossa cruz, morrer com Cristo, ser ressuscitado com Cristo e viver com Cristo. Todo dia é mais do que podemos suportar. Sem Jesus, não podemos fazer nada (João 15:5), inclusive lidar com o insuportável diante de nós. Frequentemente nós iremos experimentar mais do que podemos suportar, e é por isso que precisamos que Deus seja nosso refúgio, nosso abrigo, nossa morada. O lamento nos ensina a descortinar e derramar nossos corações diante de Deus, pela fé.

Todos nós estamos sofrendo agora ou conhecemos alguém que está. Lamentar é bastante relevante neste momento. Câncer, morte, doença, mágoa em nossas famílias, traição, perda, injustiça no mundo, medos pessoais – em todos esses vales sombrios, Deus nos dá um caminho certo até si mesmo através da lamentação.

O que é lamentar?

Lamentar é a vocalização sincera do sofrimento a Deus e, muitas vezes, ao alcance de nossos irmãos e irmãs em Cristo. Abra Lamentações e ouça as vocalizações de Jeremias de sofrimento, dor e tristeza. “Mesmo quando chamo ou grito por socorro, ele rejeita a minha oração.” (Lamentações 3:8). Jeremias sente que Deus não o está ouvindo. Hoje, nós poderíamos dizer: “Quando eu oro, parece que meus pedidos não passam do teto. Eu oro e não sinto nada.”

Sincero. Desconfortável. Real.

Moisés se lamenta no Salmo 90:13: “Volta-te, Senhor! Até quando será assim? Tem compaixão dos teus servos!”. Ele não tem certeza de quanto tempo mais ele pode suportar. Ele está exausto. Por quanto tempo mais precisaremos enfrentar isso? Hoje, poderíamos orar: “Senhor, por quanto tempo mais meu amigo terá que suportar isso? Por favor, Senhor, em Tua bondade, traga seu filho rebelde para casa.” Lamentação é uma súplica pessoal – emoções e pensamentos vocalizados.

Jeremias e Moisés nos mostram que nos lamentamos não apenas para tirar as coisas do nosso peito – mas para recolocar nossos olhos em Deus.

O lamento leva ao Senhor

Em Lamentações 3, Jeremias se lembra da infalível misericórdia de Deus: “Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança.” (Lamentações 3:21-24).

Moisés se lembra do amor fiel do Senhor, sabendo que ele pode encontrar alegria sobrenatural – uma satisfação que supera todo entendimento – em meio ao seu sofrimento: “Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes. Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos.” (Salmo 90:14-15). Suplicamos a Deus que nos satisfaça nEle mesmo, aquele que deu o Seu único Filho pelos nossos pecados, para que, pela fé Nele, possamos ter a vida eterna.

A lamentação bíblica não nos deixa perdidos; ela nos leva de volta ao Senhor. A satisfação na esperança do Evangelho nos sustenta em nosso sofrimento. Processamos nossa dor e nos lembramos do amor firme do Senhor. Lembre-se do seu Salvador crucificado e ressurreto. O túmulo vazio serve como uma lápide para todos os seus sofrimentos. Um dia, em um piscar de olhos, ele fará novas todas as coisas. A trombeta está sendo afinada agora.

Até lá, vocalize seu sofrimento a Deus e coloque sua esperança nEle.

Traduzido do original “You Cannot Handle Your Pain“, escrito por J.A. Medders e publicado aqui com a autorização do autor.

Crédito da imagem aqui.

Diário de uma Concurseira – Semana 12: escrever é preciso

(Sim, pulei 2 semanas de Diário de uma Concurseira e agora voltamos! Escrever sobre isso me faz bem. Let’s go!)

Segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Após um final de semana edificante em vários aspectos, inclusive no cansaço, solicitei à Rafa que me liberasse da sessão de fono de hoje pois eu estava absoluta e completamente acabada. Foi a melhor decisão que tomei: dormi várias horas seguidas, acordei descansadíssima e pronta para retornar à rotina (mentira – quem é que consegue voltar à rotina após dias maravilhosos em um retiro lindo?). Em alguns momentos até fiquei me lembrando do que estava fazendo ontem, quando a vida ainda era boa e campestre… saudades. Muitas saudades. Mas, me esforcei e consegui estudar um pouco de Direito Constitucional. Utilizei uma aula do Focus Concursos (se inscrevam no canal deles pois: vídeoaulas de graça!!!) com um professor muito doidinho que me deu agonia, porém soube explicar muito bem tudo que eu precisava aprender, então… oh, well. Fui dormir mais tarde do que imaginei, o que levou a…

Terça-feira, 18 de outubro de 2016

… eu acordando às 11h15 hoje. Confesso que não tenho me preocupado muito com a minha hora de dormir/acordar, visto que estou meio sem cronograma de estudo, o que gerou uma série de reflexões muito importantes. Descobri que não havia continuação da vídeoaula de Direito Constitucional, o que me levou a pensar em algumas coisas, refletir a respeito de outras, até que cheguei a uma grande epifania:

Eu devo focar em concursos na área administrativa.

A realidade é a seguinte: eu estava focando em um concurso (TRE) que possui UMA VAGA e cujo conteúdo programático é composto por 10 disciplinas, sendo 7 delas relacionadas a Direito. Segundo o site do Focus, eu preciso de 141 aulas para passar nesse concurso, tirando estudos aleatórios, exercícios e o que mais vier. E eu simplesmente não tenho ânimo/disposição para isso. Se eu quisesse saber tanto de Direito, eu teria passado 5 anos na faculdade em vez dos 7 que investi em dois cursos que não têm absolutamente nada a ver com essa área do conhecimento. Por outro lado, se eu pegar o conteúdo programático de Administração do concurso do IFPE, 70% são coisas que eu estudei na faculdade. Ou seja: faz TODO O SENTIDO que eu continue na área na qual já estou. Eu já sei Administração, eu já gosto de Administração, eu investi sete anos da minha vida em Administração; logo, nada mais justo que passar mais 1 ano ou 1 ano e meio estudando Administração para passar em um concurso de Administração. Simples. Não tem mistério: é pura lógica. O único questionamento que fica é: como eu não decidi isso antes?

Comentei sobre essa ideia com o meu príncipe (que veio pra cá à noite), assistimos Lost (estamos maratonando – não, nunca havíamos assistido) e esperei a noite deste dia revelador acabar.

Quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Hoje o dia foi daqueles que eu lembrarei no futuro como dias não tão bons. Apesar da empolgação vinda da epifania de ontem, passei o dia desanimada e distraída, logo, não estudei. Por outro lado, peguei um livro de Administração para concursos que tinha aqui em casa e fiquei feliz ao perceber que 70% do conteúdo programático para o concurso do IFPE já está lá, ou seja: já tenho o material! O que faltar a gente desenrola. Mas nem essa descoberta maravilhosa me animou: não, hoje não foi dia de estudo. Não foi dia de nada, na verdade.

Quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Com a graça de Deus, acordei melhor e passei um dia mais estável. Foi um dia bastante produtivo pois, incentivada pela loucura da semana passada (gravei 2 vídeos, editei e publiquei um vídeo, tudo no mesmo dia), decidi gravar, editar e postar o vídeo da semana, tudo hoje. O tema do vídeo era um pouco mais leve, então a gravação foi mais espontânea e divertida! Gravei, editei correndo, a tendinite quis morrer, fiquei com dor de cabeça… mas consegui. Às 19h54, precisamente, o vídeo foi ao ar e eu fiquei muito feliz com o resultado final. Glória a Deus! Depois fui ao PG com o meu amor e devo dizer que hoje aquele lugar foi inundado com a presença do Pai. Que linda noite, que palavra confrontadora! Momentos felizes: um carinho do meu Paizinho Eterno que cuida de mim! 💜 Confiram o vídeo de hoje!

Sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Hoje eu acordei e não visualizei estudo na minha vida. E sabe o que mais? Não há problema nada de errado com isso. Levantei tarde, tive um momento de oração, li meu livrinho absolutamente fantástico (“Vencendo Medos e Ansiedades“, da Elyse Fitzpatrick), almocei, finalmente iniciei a 3ª temporada de Jane The Virgin, li o livrinho mais uma vez e passei a noite com o meu príncipe fazendo vários nadas. Foi um dia perdido? Alguns dirão que sim. Eu digo que ganhei, e muito. Afinal, a vida toda não é só concurso. Mas semana que vem será um pouco mais do que foi esta semana. 😉

E aí, tá estudando pra concurso também? Para quais você está se preparando? Conta pra mim nas redes sociais!

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