A música e o amigo silencioso

Se você me perguntar o que eu mais amo fazer, possivelmente eu responderei: cantar.

Música foi uma das primeiras coisas que me interessou quando eu ainda não tinha muita consciência das coisas. Minha primeira recordação que demonstra isso é de 1998, quando eu tinha 7 anos e me gabei para os meus pais por ter decorado uma parte da música de abertura da novela Pecado Capital. Até hoje me sinto uma pessoa especial quando decoro uma música particularmente difícil.

Aos 9 anos, quando ainda não havia wi-fi, smartphones e notebooks na minha vida, minha diversão ao almoçar era escutar música. Eu costumava alternar com minha babá mais amada: um dia ela escolhia o CD, no outro dia seria minha vez. Uma das memórias mais fortes e queridas da minha infância.

Até os meus 14 anos, eu só escutava músicas “gospel”. Não, não é brincadeira. E, bem ou mal, isso só mudou quando eu descobri a MTV. Uma das primeiras músicas que escutei nessa nova “fase” foi Hollaback Girl, da Gwen Stefani, e foi aí que descobri meu amor por música pop. Mas foi também nessa época que Speed of Sound, do Coldplay, surgiu pra mim, e eu determinei que seria fã dessa banda, decisão que dura até hoje. A MTV não só me apresentou a artistas como me ensinou a respeito da própria história da música; quanto a isso, sempre serei grata ao finado canal.

Aos 15 anos, uma nova atividade relacionada à música se mostrou para mim: composição. Não, eu não conheço composição musical em termos técnicos. Minhas letras são basicamente divididas em versos, refrões, pontes e… fim. Minhas melodias não são boas. Mas escrever músicas é uma coisa que eu guardo comigo e que se revela em momentos imprecisos: talvez no meio de uma aula, talvez no meio do banho, talvez numa madrugada melancólica. Esse pequeno prazer já me proporcionou material para umas 20 composições.

Aos 22 anos, tudo mudou. Eu percebi que não conseguiria mais só escutar música; eu precisava fazê-la. Então fiz o que qualquer pessoa faria: comprei um violão e fui aprender sozinha. Hoje, 8 meses depois, eu ainda não toco bem, não sei segurar o violão corretamente e nem me peça para fazer uma pestana. Mas quando pego meu baby e toco músicas em GDEmC, posso jurar que tudo fica mais lindo, colorido, fácil. Melhor.

E em meio a todas essas épocas e anos, uma coisa permaneceu: cantar. Cantar foi uma das primeiras coisas que eu aprendi a fazer e jamais parei. Não, nunca fiz aulas. Mas a grande beleza da coisa toda é justamente o fato de que, quando se trata de canto, ele simplesmente acontece. É involuntário, incontrolável. E a boa notícia é que, além disso, ele é ilimitado, e é por isso que pretendo tê-lo na minha vida para sempre, seja através de uma carreira propriamente dita, um hobbie ou cantorias desafinadas debaixo do chuveiro.

O canto não depende de dinheiro, status ou posição social para acontecer. Ele simplesmente existe, e, se você for abençoado como eu, já o tem na sua vida independente de qualquer coisa. Espero que isso seja verdade, caro leitor. Porque, uma vez na sua vida, ele jamais irá embora. O canto é um amigo silencioso que, quando se manifesta, tem um poder magnífico, arrebatador. E é esse poder que quero experimentar todos os dias até o fim.

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