Um novo caminho e as mesmas cordas

Amanhã eu começo no estágio novo.

Hoje fui levar uma tonelada de papeis para registrar meu ingresso como estagiária do TRF da 5ª Região. Estando lá, já pude conhecer meu novo chefe, minha nova sala, meus novos colegas e o novo bebedouro do qual beberei água todos os dias.

Eu morro de medo de mudanças.

E sempre fui assim, desde criança. Logo, por mais que eu tente me convencer de que já estagiei duas vezes, já passei por isso antes e tenho 23 anos na cara e algum conhecimento sobre a vida, não dá: o estômago aperta e me faz pensar nas minhas bolinhas homeopáticas que, erradamente, só tomo quando o medo de não conseguir se torna mais forte que o normal.

Eu não sei se vou conseguir.

Meu chefe nunca teve uma estagiária e eu aparentemente nunca fiz o que vou precisar fazer a partir de amanhã. Eu nunca tive um chefe homem, aliás, e isso, por algum motivo, não colabora com a minha ansiedade. Além de tudo isso, está ocorrendo uma perda pra mim: eu não tenho mais o controle do horário das minhas tardes. Desde o dia 07 de maio de 2013 (a.k.a. meu aniversário), minhas tardes se resumem a voltar da faculdade e fazer o que eu bem entender ou o que meu sono me permitir. Tem sido assim e não será fácil sair da faculdade e, em vez de voltar para casa com minha melhor amiga, mudar de caminho e ir parar num prédio que eu ainda nem sei localizar no mapa.

Tudo isso é necessário.

A diferença entre amanhã e meu primeiro dia de trabalho no estágio anterior é apenas uma: eu reconheço que essas mudanças precisam acontecer. Eu preciso estagiar para me formar na faculdade. Eu preciso trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Eu quero me sentir útil como há algum tempo não me sinto. Eu anseio desesperadamente por poder voltar a planejar, imaginar, sonhar. E realizar.

No meio dessa confusão de medos, inseguranças e alguma maturidade, cheguei em casa após entregar os documentos, peguei meu violão e, com a perna apoiada na cama, toquei alguns dos pouquíssimos acordes que sei, da maneira estranha e mediana que conheço. No meio de um mundo que está prestes a mudar, alguma coisa permanece. No meio de um caminho novo pra mim, algo me ancora, me prende ao que é certo e me traz segurança. Algo me lembra de que, não importa onde ou em que ocupação eu esteja, Manuela continuará sendo Manuela.

É maravilhoso o sentimento de pertencimento a si mesmo.

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