Review: Coldplay – Ghost Stories (2014)

Iniciando nossa seção de Reviews, publico minha review para o Ghost Stories, mais recente álbum do Coldplay e que já rendeu famosos singles como Magic e A Sky Full of Stars. Esta review foi publicada no Tumblr da Warner Music Brasil em julho deste ano e eu fiquei bastante feliz com isso!

Há 4 meses, Midnight foi lançada e nós, fãs do Coldplay, ficamos sem saber exatamente o que esperar daquele momento pra frente. O Mylo Xyloto já tinha completado 2 anos, a turnê mundial já havia acabado (sem passar pelo Brasil, uma pena) e a banda estava reclusa, fora dos holofotes há algum tempo. Dentro desse contexto, o lançamento de uma música e de um clipe que nada tinham a ver com a era que havia acabado encheu nosso coração de esperança em relação ao novo álbum, afinal, se a era MX foi marcada por cores e luzes, estávamos preparados para uma nova era mais sombria e densa. E foi exatamente isso que o Coldplay nos entregou.

O Ghost Stories apresenta-se através de Always In My Head, uma declaração de amor que contém uma das características mais marcantes do Coldplay: a guitarra leve e reflexiva de John Buckland. Logo após, Magic dá as caras, sem muita surpresa, porém ganhando um pouco mais do meu respeito apesar do seu tom mais pop e da sua letra não tão elaborada. Em seguida, vêm as melhores surpresas do álbum, Ink e True Love: Ink apaixona com sua batidinha constante, seus doces arranjos e sua letra que mostra um eu lírico desesperado para manter o amor que sente dentro de si, enquanto True Love tem se destacado como um dos momentos em que Chris Martin se mostra mais exposto, sensível, clamando por um “eu te amo”, mesmo que falso.

Midnight, localizada bem no meio do álbum, mais uma vez confirma que é a música mais experimental da banda, uma canção cuja essência pode ser difícil de identificar, a princípio. Em seguida, Another’s Arms toma a cena com sua voz feminina, sua melodia meio sem graça e seu refrão bastante repetitivo, aspectos que fazem com que não seja minha favorita. Oceans se apresenta como a canção mais melancólica do álbum, o que eu, particularmente, acharia ótimo se a melodia não me parecesse tão irregular. Após um interlúdio em que podemos escutar sinos anunciando uma mudança no caminho do eu lírico, chegamos a A Sky Full of Stars, canção que demorou a me convencer, dado seu aspecto extremamente pop e comercial, que a deixou completamente deslocada no álbum. Mesmo assim, ASFOS é bem produzida e empolga, o que, afinal, sempre foi seu objetivo. O álbum termina com O, uma das melhores canções, que nos relembra do potencial criativo da banda com um lindo arranjo no piano, uma competente performance vocal do Chris e uma letra que desperta nossa imaginação para o belo e provoca imediata identificação. O instrumental que vem em seguida é eficaz em terminar o álbum de forma tranquila e estimulando nossos sentidos a apenas apreciarem a música.

Após essa análise, chegamos à conclusão de que o Ghost Stories é um álbum para ser apreciado, o que faz com que me incomode bastante o fato de ele estar sendo vendido através das suas canções mais pop e comerciais, quando, na verdade, há joias tão mais preciosas em suas outras composições. O valor musical do GS jamais deve ser subestimado: todas as músicas possuem arranjos elaborados, mostrando a qualidade dos membros da banda e dos músicos que com eles trabalharam, e nos fazendo lembrar dos primeiros álbuns da banda, tão sombrios e deliciosos ao mesmo tempo. Podemos sentir veracidade nas letras de Chris Martin, sempre expondo um eu lírico frágil e desesperado por não perder o amor que um dia teve; a guitarra de John Buckland tem destaque e encanta, assim como o baixo de Guy Berryman, porém o mesmo não pode ser dito da bateria de Will Champion, que fez falta com sua força e seu poder.

O Ghost Stories representa um retorno às origens, mas sem perder o aprendizado do caminho que se percorreu desde então. É um álbum para ser sentido e analisado, mas também para ser ouvido sem muitas pretensões ao dirigir num sábado à tarde. Sem dúvida, ele já conquistou um lugar nas preferências dos fãs. E desejo que continue sendo apreciado como o bom álbum que é, digno de reconhecimento e amor verdadeiro.

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