Aula de Canto #4.1: Cante pra parede!

No relato de segunda-feira passada eu esqueci de comentar algo bem importante que minha teacher me recomendou: cantar pra parede. Se a expressão fica estranha de maneira literal, metaforicamente ela tem me ajudado muito: eu meio que consigo me imaginar cantando de forma que minha voz atinja a parede e isso tem me ajudado a, digamos… me libertar.

Lembro (quase) exatamente das palavras de Josi: “Cante como se você quisesse que a outra pessoa escutasse, como se você tivesse a atenção dela”. E isso, pra mim, foi um conselho extraordinário pois eu tenho uma insegurança assustadora no que se refere a cantar em público (nem em público exatamente, mas cantar sabendo que outros irão escutar). Talvez isso tenha a ver com o fato de que eu sempre escutei comentários meio negativos (pra não dizer absolutamente traumatizantes) em relação à minha voz e isso foi algo que eu acabei aceitando. Ou seja: eu aprendi que não canto bem e que minha voz não agrada às pessoas.

Hoje em dia, eu não penso mais assim. De fato, eu não “cantava bem” pois não conhecia a minha voz e como ela funciona. Simples assim. Eu não sou uma dessas pessoas que vão em algum programa de calouros com 4 anos de idade e deixam todos embasbacados com sua performance vocal. Eu sou uma dessas pessoas que precisam aprender e estudar MUITO antes de mostrar uma performance minimamente razoável. E, hoje eu sei, não há problema nenhum nisso.

Então quando Josi me diz para “cantar pra fora”, eu sei exatamente do que ela está falando: minha insegurança. Pois se eu não acredito que posso conseguir a atenção e a aprovação do meu ouvinte, eu não vou cantar de modo que ele possa realmente me escutar. Eu vou cantar baixo, insegura, dentro da minha zona de conforto para que, ao final da performance, eu possa conseguir nem que sejam 2 palmas. E como é difícil mudar isso. Como é difícil se desvencilhar da necessidade de aprovação do outro e ao mesmo tempo se convencer de que você pode consegui-la.

E foi por isso que quando escutei o “Cante pra parede”, ao mesmo tempo em que fui confrontada com minha insegurança, algo se iluminou dentro de mim. Eu senti como se estivesse recebendo uma carta branca, um sinal de autorização para cantar alto, errado, feio, medíocre, desafinado e qualquer outra palavra negativa que você queira inserir aqui. Mais do que isso: eu senti que posso, SIM, conseguir a atenção do meu ouvinte, afinal, existe pelo menos uma pessoa que acredita nisso e essa pessoa entende pra caramba de música. E sabem o que mais? Não exatamente o que sair da minha boca será errado, feio, medíocre e desafinado.

Com isso, tenho percebido que minha voz tem saído mais forte e, por conseguinte, mais próxima da minha voz falada. Ou seja: o desafio da aula retrasada está sendo alcançado. E eu estou há 5 minutos parada em frente à tela do computador sem conseguir encontrar uma frase que expresse o quanto isso me faz feliz e enche meu coração.

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