Aula de Canto #6: Medo do espelho

Lá na minha sala de aula tem um espelho que, segundo a professora, é bastante importante pra que a gente verifique os erros (e possíveis acertos, né #otimismo) que são feitos durante o canto. É através dele que tenho me policiado na gesticulação/regência excessiva durante o canto e foi ele que mostrou a cara absolutamente assustadora que faço enquanto uso uma força sobrenatural para alcançar as notas com minha voz natural. Talvez eu esteja sendo muito otimista, mas algo me diz que a coisa toda não é bem assim.

Na aula de ontem continuamos os treinamentos para “soltar” mais a voz e eu sinceramente tenho amado esses vocalizes porque a sensação de liberdade que sinto, mesmo que incompleta, já é bastante gostosinha. Tentamos um vocalize que era tipo… “iiiiiiiiiiiiiAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA” e, mais uma vez, Josi me incentivou a deixar essa danada dessa voz sair, inclusive dizendo para eu abrir os braços e pensar em coisas que me deixassem com raiva. Alou, boy cabra safado: essa foi pra você.

Seguimos em frente e fomos para os infinitos ensaios de Who Knew (que eu não sei como ainda não enjoei de cantar) e, nesses ensaios, ficou ainda mais clara minha dificuldade em soltar a voz. Não sei se alguém vai se identificar com o que eu vou dizer agora, mas sabe quando chega uma hora em que a voz trava e você começa a fazer uma força sobrenatural pra ela sair e a coisa toda acaba ficando… muito ruim? Pronto, é isso que acontece a partir do “If someone said three years from now…” e é isso que estamos tentando melhorar. Lá pela quarta tentativa eu consegui produzir um som minimamente mais audível que os anteriores e a teacher demonstrou aprovação, mas confesso que fiquei bastante confusa porque eu senti que utilizei a voz fake e a ideia que ficou na minha cabeça era a de que a voz fake deveria ser exterminada da face de todas as galáxias do universo inteiro. Aparentemente, não. Aparentemente, minha voz “real” é uma mistura da minha voz fake e minha voz crua, e é nela que devo investir. Confesso que essa constatação me deixa um pouco mais animada porque pelo menos a voz fake já está um pouco mais treinada, não é mesmo? Espero que eu tenha entendido direitinho rs.

Ao final da aula, novamente estava cansada e ontem finalmente pude entender o porquê. Não se trata só do esforço físico inerente ao canto ou do esforço vocal por se tratar da voz; o esforço que faço durante a aula é bastante emocional também. Não apenas porque sinto uma ansiedade a ser combatida a cada instante do dia, mas porque preciso lutar contra minha insegurança e meus medos mais inconscientes para que a voz saia como deve ser: forte, livre, sem impedimentos e sem dúvidas que a aprisionem. Em toda aula de canto eu me deparo com um espelho físico que me mostra meus erros e um espelho emocional que entrega minha insegurança, e isso é pesado, cansativo, ruim. Preciso trabalhar bastante nessa área para chegar na aula soltando as estribeiras todas da voz, com a plena consciência de que o que eu tenho a cantar vale a pena ser escutado. Espero que eu mesma acredite nisso logo.

PS: Eu sempre achei que tinha uma vocação divina para não ter medo de palco, mas após ficar travada até para cantar na frente da professora de canto percebi que sou como qualquer pessoa normal e que o temido stage fright (medo do palco) deve estar em mim em algum lugar. Bem, pelo menos ele não aparece quando estou fazendo performances na cozinha às 3 da madrugada ao som de Kelly Clarkson. ❤

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