Review: Sia – 1000 Forms of Fear (2014)

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A primeira música que eu escutei de Sia foi Elastic Heart, presente na fantástica trilha sonora do Em Chamas, segundo filme da saga de Jogos Vorazes (minha preferida, por sinal). Lembro que uma das primeiras coisas que pensei foi em “como a voz dessa mulher parece com a de Rihanna” e, automaticamente, criei uma imagem mental de que Sia era uma morena magrinha e sensual, que nem a referida cantora de Barbados. Algum tempo depois, Chandelier foi lançada como single e minha paixão pela cantora, que é australiana, finalmente chegou, o que me fez esperar ansiosamente pelo lançamento do 1000 Forms of Fear, que eu já imaginava que seria um dos melhores álbuns de pop de 2014. E é.

Não poderia haver música mais adequada para iniciar o álbum do que Chandelier. Não só porque ela foi o primeiro single e sem dúvida o maior sucesso do 1000 Forms of Fear, mas pela própria característica de essa canção ser uma experiência emocional. Eu não sou uma party girl. Não bebo, não frequento boates e não me envolvo em relacionamentos casuais, mas nada disso me impediu de criar uma conexão com Chandelier, visto que ela não fala sobre noites de bebedeiras e orgias, e sim sobre o constante vazio que todo e cada ser humano sente durante sua vida. Sentimos toda a dor de Sia em seus gritos desesperados do refrão e, junto com ela, chegamos à conclusão de que sempre só aguentamos por uma noite e rezamos para chegar no dia seguinte. Impossível não amar uma canção que traz à tona nossa realidade mais crua.

O álbum continua com Big Girls Cry (contestando o mantra de Fergie), que, para mim, é uma das canções mais sem graça do CD e que eu sempre pulo, apesar de concordar com o grande mote dela: “Garotas crescidas choram quando seu coração está partindo”. Depois chegamos em Burn The Pages, de cara uma das minhas favoritas e uma das minhas canções para dançar, sorrir e esquecer dos problemas da vida. A energia dessa música é incrível e eu tenho um clipe já planejado, filmado e editado na minha cabeça para ela. Seguimos com Eye of The Needle, que não sei bem se foi lançada como single, mas o fato é que ela é uma das melhores canções do álbum, com uma letra de fácil identificação e momentos de pura fragilidade do eu lírico.

Hostage também é uma que eu geralmente pulo, também por ser um pouco sem graça. Ela me lembra do álbum anterior de Sia, We Are Born, e eu lembro que não gostei muito dele pois achei as músicas meio parecidas entre si e felizes demais. Sim, eu gosto de sofrer quando canto. E meus desejos foram atendidos com Straight for The Knife, uma baladinha bastante agradável, e Fair Game, uma das melhores do álbum e possivelmente de toda a carreira de Sia. É difícil descrever tudo que eu sinto em relação a essa canção. Possivelmente a primeira coisa que chamou minha atenção foi o fato de ela ser basicamente recitada nos versos, e quando li a letra a experiência com a música foi elevada a um nível totalmente diferente: eu nunca tinha lido algo do tipo. Lembro-me de ter pensado: “Eu espero poder escrever algo assim quem sabe daqui a uns 87 anos”. O nível de sinceridade, de verdade, de exposição do eu lírico é absurdo.  E o final, gentilmente trazido por um solo de xilofones, nos dá uma sensação de esperança de que o dito eu lírico conseguirá fazer um jogo limpo da próxima vez. Nós torcemos por isso e esperamos jogar limpo em nossas vidas também.

Chegamos em Elastic Heart, a música que iniciou tudo isso, e fiquei feliz tanto com sua adição ao álbum como com a retirada do featuring da versão do Em Chamas, deixando apenas a voz de Sia brilhar. Eu, particularmente, amo essa canção e sinto uma energia muito boa quando a canto. Free the Animal me conquistou primeiramente com sua melodia, e confesso que me assustei um pouco quando li a letra, afinal, uma música que mistura sexo e morte, em tese, ficaria bizarra demais para o consumo; mas nem a lógica me impediu de amar essa canção, que possui uma pegada dos anos 80 e um refrão super marcante. Ainda na temática do sexo, chegamos em uma das melhores do álbum: Fire Meet Gasoline. Com letras de sexo nada implícitas dominando as paradas de música pop, uma canção que fala sobre o tema de forma bela, poética e ao mesmo tempo incisiva precisa ser valorizada e amada. É lindo o que Sia faz nessa música, absolutamente lindo, até porque o eu lírico está claramente apaixonado e quer se unir com a outra pessoa para sempre. Se isso não é uma metáfora do casamento, eu não sei o que é. E se tem casamento no meio, eu aprovo.

Cellophane pode ser considerada a canção mais profunda do álbum depois de Chandelier. Confesso que não entendo muito bem a analogia com o papel celofane, mas isso fica em segundo plano quando sentimos toda a dor que Sia expressa, especialmente em seu lindo solo de falsete (?) ao final da música. De uma beleza memorável. 1000 Forms of Fear termina com Dressed in Black, um R&B que mostra um eu lírico feliz e aliviado por ter encontrado alguém que o resgatou das trevas e trouxe alegria a sua vida. Eu, particularmente, penso em Jesus quando leio essa música. Quem resgatou você das suas trevas particulares?

Quando conheci Sia, achei que ela fosse algum tipo de Rihanna 2. Hoje sei que Sia Kate Isobelle Furler é uma cantora e compositora australiana que adora usar uma peruca chanel branca, morre de medo da fama e tem feito algumas das melhores canções da música pop nos últimos anos. Ela representa a “salvação” do pop pra mim, no sentido de que suas músicas são algumas das únicas que ainda me disponho a apreciar no gênero. Sia não é uma cantora politicamente correta ou livre de influências da indústria musical, mas o fato de ser uma artista cheia de alma, sinceridade, profundidade e talento a destaca de imediato entre tantas outras cantoras que dominam os charts atualmente. Sendo assim, não tinha como o 1000 Forms of Fear dar errado, recebendo, pela Associação Fatia de Música de Artes e Ofícios, a classificação 5 estrelas de qualidade!

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E aí, concorda com a review? O 1000 Forms of Fear foi ou não foi o melhor álbum pop de 2014? Conta pra mim nos comentários! (;

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