Review: Taylor Swift – 1989 (Deluxe) (2014)

tay1989

Quando eu soube que a Taylor Swift ia lançar um novo álbum este ano meu primeiro pensamento foi: “JÁ?”. Parece que foi ontem que eu descobri que o Red tava rolando e cantora estava em todas as revistas e programas de televisão e premiações e vídeos relacionados do meu Youtube. Confesso que nunca fui muito fã da Taylor, mas por nenhuma razão exatamente forte. Sendo assim, até gostei de alguns singles do Red mas todos eles eram muito simplórios em minha humilde opinião, então deduzi que a garotinha country tinha assumido uma identidade pop e virado uma que nem todas as cantoras adolescentes que fazem isso em dado momento de suas carreiras. Mas eu estava enganada. Com o 1989, Taylor mostrou que o pop pode não ser “mais do mesmo” e se tornar uma experiência agradabilíssima para ouvintes que, como eu, não suportam músicas com sexualidade explícita, linguagem pesada e vazio temático. Tay-Tay provou que pode fazer um álbum de pop e mais: um álbum de pop oitentista.

O álbum começa com Welcome to New York, claramente referente à nova fase de Taylor morando na selva de pedra onde os sonhos são feitos. A canção é bem simples mas serve como uma boa introdução ao que o 1989 é em sua essência: um conjunto de músicas permeadas pela musicalidade dos anos 80. Quando os sintetizadores entram, você já sabe que também entrou em uma viagem no tempo. Blank Space continua sendo uma das minhas favoritas e eu gosto de basicamente tudo a respeito dela: a melodia, a letra e principalmente o samba na cara que Taylor deu na mídia que costuma retratá-la como uma doida varrida. Também acho que o clipe é um dos melhores de 2014 e um parabéns à técnica vocal de Taylor pois essa música é muito difícil de cantar, trust me! Style é uma baladinha gostosa sobre um romance que poderia ter saído diretamente de um filme jovem dos anos 60. Out of the Woods é uma canção que poderia estar em qualquer boate da década de 80, caso tivesse sido lançada à época. A letra é um pouco abstrata demais pra mim (eu gosto de conseguir mentalizar o que o eu-lírico está sentindo ou vivendo quando escreve aquilo) e confesso que não sou fã de muita repetição, mas a canção não deixa de ser boa, especialmente com a melodia do refrão que eu já imaginei como ficaria num piano.

All You Had to Do Was Stay tem uma letra das que eu mais gosto: mulheres se libertando de relacionamentos disfuncionais. Em resumo: eu adoro uma música de dor de cotovelo e consegui me identificar com a letra dessa. Uma baladinha gostosa também. Shake It Off é uma música sobre a qual eu já falei aqui no blog e a verdade é que por mais que eu já a tenha escutado, não consigo gostar desse hit. Não gosto da melodia nem do arranjo nem da voz de Taylor nem da letra. Ou seja: nada. Até aprovo a temática de “haters gonna hate e eu tô nem aí” mas a execução dela ainda deixa a desejar, para mim. I Wish You Would é a canção mais pop/rock do álbum e isso já automaticamente me faz gostar dela. Adoro o arranjo do refrão, bem dançante e pesado. Já Bad Blood é uma música mais “atual” do álbum oitentista, com uma batida hip-hop deliciosa e até uma vibe “trap”, aquela batidinha para se fazer twerk (sim, isso existe!). Gostaria que fosse o novo single.

Wildest Dreams tem uma atmosfera deliciosamente sexy e um arranjo muito bem feito, especialmente nas escolhas vocais de Taylor. As cordas ao final dão o toque final à vibe de sonho que a música proporciona. How You Get The Girl talvez seja a canção mais “normal” do álbum, um popzinho com a presença do violão, aliás, a primeira aparição do instrumento característico de Taylor no disco. Não gostaria que fosse o novo single por ser muito simples. This Love baixa o clima do álbum a uma atmosfera melancólica que já sabemos que provavelmente trará uma história trágica de amor. Não é diferente, mas a canção, escrita somente por Taylor, é bem sucedida em fazer o ouvinte ficar triste por alguns minutos se lembrando das próprias desilusões amorosas (ou seria minha TPM?). De todo modo, é uma linda música. O clima mais pesado no álbum continua com I Know Places, claramente uma fantasia sobre um amor que precisa fugir dos holofotes e dos caçadores. Também é uma música com características atuais e ares de hip-hop.

Clean é uma música que imediatamente me conquistou pela letra de libertação de um amor que, claramente, não era saudável. Acho que todo mundo que passou por esse processo de “superar alguém” já pode experimentar esse sentimento de cura após 3, 6 ou 10 meses, como é o caso de Taylor. Quando a voz de Tay fica em destaque no final da canção a atmosfera se torna ainda mais íntima e podemos perceber que ela realmente está derramando seu coração naquele momento, o grande clímax para um artista. A versão do álbum sem ser a deluxe termina (muito bem) com Clean, mas esta review continua com Wonderland, que também é uma canção com referências atuais e uma letra bem construída sobre um romance que parecia verdade mas era fantasia, um sonho (não era amor, era cilada). Já You Are In Love de fato é uma fantasia, uma idealização de um romance e da realidade que todas queremos viver: ele está apaixonado e você também. New Romantics encerra a versão deluxe com a atmosfera dançante, oitentista e positiva do início do álbum e pode ser considerada um hino jovem, ideal para se dançar numa noite divertida com os amigos.

Os voice memos foram um presente para os fãs e particularmente pra mim que também componho músicas (já mencionei isso aqui?) e sou uma estudiosa informal sobre esse processo maravilhoso que não sei definir como arte, técnica ou dom. Então qual não foi a minha surpresa ao perceber que eu teria 3 exemplos claríssimos de como Taylor compõe suas músicas? Isso foi muito, MUITO legal! Eu tô muito feliz, sério haha! No voice memo de I Know Places ela começa comentando que já foi perguntada várias vezes sobre seu processo de composição musical e decidiu incluir 3 exemplos no álbum para demonstrar como a coisa acontece mais ou menos (e com direito a gravações originais do celular dela!). A gravação da vez mostra Taylor no piano cantando I Know Places e eu fiquei impressionada como ela já começou essa versão “prévia” com a letra praticamente definitiva e a melodia também. Isso também acontece no memo de I Wish You Would, no qual ela conta que estava em turnê com o Red, recebeu essa melodia do seu amigo, Jack Antonoff, e criou a letra em cima da batida. Eu particularmente me interesso muito por esse tipo de composição e espero poder testá-la algum dia, já que sempre começo pela letra e não sou muito boa em criar melodias. Blank Space é a gravação mais “crua”, digamos assim, porque a letra praticamente nem existia na época, mas também é uma forma de mostrar como, no processo de composição de uma música, TUDO é válido, até gravações sem sentido no celular. Fiquei feliz porque eu fiz uma dessa semana passada e até falei qual instrumento queria que tivesse destaque haha (imaginem como ficam esses áudios)!

E assim, terminamos esta longa porém divertida (pra mim e espero que pra vocês!) review. Confesso que não gosto quando o texto fica muito longo mas a versão deluxe do 1989 tem DEZENOVE faixas, então realmente não deu pra ser menor rs. Preciso comentar que, apesar de longo, minha concentração só começou a se dispersar na faixa 13, o que é um marco quase histórico já que eu geralmente começo a ficar entediada nas faixas 7 ou 8 de álbuns em geral, e isso, pra mim, é a prova cabal de que o 1989 é um álbum simplesmente delicioso de se escutar. Taylor decidiu arriscar no pop oitentista e acertou com louvor, sendo também sua primeira investida pesada em colaborações (todas as músicas do disco são colaborações, exceto This Love). A atual moradora de Nova Iorque também decidiu arriscar nas técnicas vocais e percebemos uma voz mais grave, bem colocada e capaz de falsetes belíssimos (e até de alguns raps, como notamos em Shake It Off e Wildest Dreams). A ruptura com sua obra prévia é clara, principalmente através do fato de que o violão, instrumento característico de sua carreira até então, só aparece a partir da faixa 10.

E é por tudo isso que o 1989 (Deluxe) recebe a classificação máxima pela Academia Fatia de Música de Artes e Ofícios!

5estrelas

E aí, gostou da review? Concorda que o 1989 é um excelente álbum ou acha que é um mais do mesmo? Conta pra mim sua opinião! (:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s