Aula de Canto #10: Um recomeço agridoce

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Confesso que começar este texto foi algo bem mais difícil do que o normal. O fato de que meu estágio voltou do recesso e de que fiz uma cirurgia para retirar os sisos ontem (tenho comentado sobre isso no Twitter, já viu?) certamente colaboraram para isso, mas sem dúvida a maior culpada pela demora no relato da aula foi… a própria aula.

Cheguei lá bastante empolgada, como vocês puderam perceber no meu último texto antes do retorno. Essas 3 semanas passaram bem rápido e eu quase não senti o recesso, exceto quando fui cantar na semana passada e o negócio simplesmente não saiu. Eu fiquei chocada, gente! Demorei umas 6 músicas pra “encontrar minha voz” e antes disso o que saiu foi algo muito desordenado e descontrolado e um bagulho muito doido do tempo e espaço. Traumas. Comentei com Josi que isso tinha acontecido e ela fez aquela cara de “Óbvio que aconteceu, eu disse pra você treinar durante as férias!”. Eeeer, acho que preciso de um pouco muito mais de disciplina em 2015.

Assim que cheguei um primeiro foco foi estabelecido: os Saraus da escola, eventos que acontecem com alguma periodicidade que eu esqueci agora qual é mas que se dão no pátio da BL com os alunos performando. Nessa hora realmente me senti iniciando uma nova temporada de uma série, com o foco daquela nova season sendo estabelecido. Preciso dizer que adorei? Ou seja: Manusinia terá sua primeira performance! Yay!

Mas voltando ao presente, na respiração diafragmática tudo doeu no bucho. Josi viu que o negócio tava emperrado e fez um aquecimento juntando duas vogais, o que me deixou cansadíssima porém preparada! Foi uma boa sensação, confesso rs. Não utilizamos a rolha e durante os vocalizes precisei ser constantemente lembrada de não forçar o corpo, não fazer movimentos involuntários e não ficar tensa, o que me deixou tensa já que eu não consigo não ficar tensa.

Já na parte das músicas, a ideia era praticar Morada e Who Knew, mas quando comecei Morada a coisa se mostrou mais complicada do que imaginávamos. Josi me interrompeu em praticamente toda frase. Dicção, impostação, respiração… tava tudo errado. E a cada interrupção eu ia ficando mais tensa, sendo que eu não devo ficar tensa, lembram? Ou seja: tivemos que fazer uma interrupção durante Morada para Josi me relembrar a razão de eu não poder fazer esses movimentos involuntários durante a música para que a música não fique condicionada a eles. Concordo com isso, de verdade, mas a ideia de eu não poder fazer algo que eu faço sem nem pensar é MUITO, ahn, aprisionadora. Se você não pode ser natural, você precisa pensar. E se você pensa, a coisa toda perde um pouco da espontaneidade, da sensação, do sentimento.

Mas no final das contas o que me deixou mais deprimida foi perceber que minha ansiedade realmente atrapalha em TUDO. Eu sou uma pessoa tensa 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não é algo que eu consiga desligar num botão ou desativar através de uma alavanca. Eu sinceramente não consigo me imaginar não sendo ansiosa em uma área específica da minha vida, isso não faz muito sentido. Talvez eu deva conversar sobre isso com Josi pra que as aulas não se tornem uma tortura semanal em vez da minha melhor terapia. Porque eu sempre me culpei muito por ser tão ansiosa, insegura e intensa e somente agora tenho me libertado disso, também através da música. Que ela não se torne fonte de culpa e ansiedade, mas continue sendo uma fonte de escape e alívio pra mim em 2015 também.

Crédito da imagem: Luciano Silva.

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