Aula de Canto #12: A mágica da prática

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Domingo passado eu finalmente tomei vergonha na cara e fiz algo que deveria estar fazendo desde milênios atrás: praticar em casa. Claro que isso não significa que eu cantei durante 3 horas seguidas e fiz aquecimentos e vocalizes até cansar, afinal, isso não é treino: é tortura para sua voz! Em vez disso, segui os conselhos de minha professora divona e treinei respiração e dicção com a rolha enquanto cantava Morada. Depois cantei uma vez sem rolha para treinar a afinação também. Tudo isso durou em média 20 minutos, mas o bem derivado desse pequeno treino foi eterno: além de eu ter me sentido com a autoestima lá em cima no domingo, ontem fui para a aula mais segura e até querendo mostrar o que tinha melhorado no dia anterior. Ok, eu sei que foi um dia só. Mas esse começo me deixou com gostinho de quero mais e cheia de motivos para simplesmente… continuar.

Sendo assim, ontem cheguei na aula mais tranquila. Eu não fazia ideia do quanto praticar em casa iria mexer comigo, de verdade. Talvez tenha sido o sono ou a crise de rinite que me veio do nada ontem também, mas o fato é que a aula correu bem mais calma e segura que o normal. Logo vimos que a respiração não seria o forte de ontem, afinal, eu estava literalmente ENTUPIDA e com dificuldade até de respirar normalmente, quanto mais com o diafragma. Fizemos os aquecimentos normais, depois um vocalize interessantíssimo chamado “MEISMAISMEISMAISMEISMAISMEIS” *ou algo assim, can’t quite remember* e o que me chamou a atenção em tudo aquilo foi que eu também estava mais concentrada. Ou seja: a equação autoestima + segurança = calma + concentração se provou bem eficaz e pretendo utilizá-la até o fim dos meus dias.

Passamos para as musiquinhas e em Morada pude comprovar uma coisa que meu lindo amigo falou naquele e-mail mágico da semana passada:

“[…] você PRECISA errar. E errar muito na frente da professora. Tá com medo de dar aquela nota aguda usando tua voz de verdade? Abre a boca e dá. Pensa assim: pode sair errado, mas dane-se. Quero errar mesmo! E quando a primeira nota sair bem errada, bem desafinada, a segunda sai mais certa, a terceira sai perfeita. Rompe essa barreira inicial! Erra de primeira porque a partir da segunda vez tu vai simplesmente percebendo que consegue, e, com essa certeza, vai passar a acertar o mesmo exercício de primeira. Tu precisa errar, precisa muito, só assim tu pode acertar depois. […]”

E adivinhem o que aconteceu? EU ACERTEI NA SEGUNDA! Yes, baby! A profecia se concretizou (q)! Na hora em que aconteceu eu não consegui não me lembrar do e-mail e ficar ainda mais certa de que o caminho é esse. É errar, testar, treinar. É se permitir ser seu pior na frente da pessoa que está lá com o EXATO objetivo de fazer você melhorar: sua professora. É simplesmente saber que os frutos podem não vir imediatamente, mas eventualmente… eles vêm.

E tá pensando que as coisas boas pararam por aí? Jamais! Teacher ainda me ensinou uma dica preciosíssima chamada… “Foque na forma”. “E o que danado é isso, Manuela Cecília???” Sabe quando você tá cantando a música e fica tão tensa com as 595059094545 coisas que você tem que fazer (respiração, controlar os trejeitos, afinação, não usar a voz fake etc. ad infinitum)? Não pense em nenhuma delas: apenas foque na forma das palavras. Em outras palavras, preste atenção na dicção, pois isso vai tirar (mesmo que não completamente) sua atenção das outras coisas e ao focar nisso, é como se todo o resto se consertasse sozinho também. Mágico, né? Confesso que nem eu mesma entendo, mas digo uma coisa: funcionou comigo. Claro que isso não significa que você vai ignorar todos os outros aspectos do canto, mas… tente pensar menos neles. Foque em uma coisa só: as palavras.

Ao final de Morada, posso dizer, não sem um orgulhinho, que a performance de ontem foi melhor que a da semana passada (Thank God). Treinamos R U Mine também (YAAAAAY) e eu particularmente ainda não identifiquei quais pontos preciso melhorar exatamente, mas uma coisa já se sobressaiu: em vez de cantar “MÃÃÃÃÃÃINE”, o negócio é cantar “MAAAAAAINE”. Alex Turner me ensinou a cantar da forma mais anasalada da Terra e agora preciso usar o sotaque mais nordestino possível. Obrigada, Alex. I knew you’d be the death of me.

Antes de pegar o caminho da roça, teacher ainda tirou um tempinho para me dizer que, com o passar do tempo, essas 3909340493043 coisas ad infinitum nas quais eu preciso pensar enquanto canto vão se tornar mais automáticas, naturais, ao que eu respondi “Então, é EXATAMENTE nesse nível que eu quero chegar rs”, e ela fez questão de aconselhar: “Ok, mas não se aperreie com isso, não!”.

O segredo é esse: não se aperrear.

PS: Acho que vou pedir a esse meu amigo para escrever uns textinhos motivacionais aqui no Fatia. Cês já viram que ele AHAZA, né? Confiram o blogzitxo dele aqui!

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