Aula de Canto #18: melhoras, convites e críticas sociais

Nos últimos tempos tenho preferido escrever os relatos das aulas alguns dias após elas acontecerem, com o objetivo de absorver tudo que aconteceu com calma e fazer textinhos mais simples pra vocês. Porém, hoje a aulinha foi tão legal (e eu tava com saudades já que semana passada não pude ir) que resolvi fazer agora, 2 horas após ela ter terminado mesmo rs!

Primeiramente, a aula começou com uma conversa interessantíssima sobre algo importantíssimo: os direitos do cantor. Como eu ainda tô adentrando esse universo, não sei muito bem como funcionam as coisas, então Josie me contou histórias horríveis de falta de pagamento, atrasos, tentativa de golpe etc. Sabe aquelas orquestras que vocês veem nas formaturas? Bem, nem sempre elas são honestas com seus músicos e muita gente talentosa sai perdendo num ambiente como esse, e é por isso que os cantores de Pernambuco estão se reunindo pra que role pelo menos uma autorregulamentação, tipo o Conar regulando a publicidade. Eu particularmente fiquei horrorizada com os casos que a minha professora me contou e o que me chamou a atenção em especial foi o DESRESPEITO da coisa toda. Putz, em que universo é aceitável dizer que vai pagar R$ 70 pra uma pessoa cantar durante QUATRO horas? Isso é uma desvalorização gigantesca com todo o trabalho que o artista empregou na voz, no instrumento, no aprendizado, no esforço, em TUDO. Eu, que ainda nem trabalho como cantora profissional, já sairia perdendo em uma transação assim: R$ 70 reais é menos que a metade do que eu pago nas aulas de canto, só pra começar. E é por isso que eu apoio totalmente essa união dos cantores de Pernambuco e espero já pegar algumas melhoras quando de fato começar minha carreira! #RespeitoAoCantor

Após essa conversa esclarecedora, prosseguimos com respiração, depois alguns aquecimentos em BRRRR e RRRRR e precisei fazer uma pausa para explicar a teacher por que o de RRRRRR tinha sido tão ruim: além de eu estar enferrujada, recentemente descobri que estou com parestesia, a.k.a. um problema em algum nervo da boca e isso provoca dormência, formigamento, agonia na gengiva e na língua (mais informações aqui). Isso aconteceu após minha cirurgia dos sisos e aparentemente é algo normal e que vai embora naturalmente, mas sei lá, é chato pensar que tem mais alguma coisa dificultando minhas cantorias agora. Josie me recomendou consultar uma fonoaudióloga, inclusive eu já fiz algumas sessões quando era mais nova. Veremos. Depois, passamos para um vocalize que eu AMEI: “NAI NAI NAI NAI NOI NOI NOI NOI NOI”. Se vocês me perguntarem qual foi a melodia, jamais lembrarei, só sei que me diverti horrores fazendo esse negocinho, especialmente porque demorei 10 minutos pra aprender que eram 4 “NAI”s e 5 “NOI”s. Momentos. ❤

Tudo estava indo calmo e divertido e lindo, até que Josie soltou uma frase que dizia o seguinte:

-Manu, um professor de canto me pediu uma indicação…

Minha gente, Manusinia aqui teve um mini-infarto com direito até a olhadinha no espelho na qual vi minha cara de completo desespero. Não se enganem: eu QUERO cantar, eu QUERO subir num palco, mas definitivamente não me sinto pronta ainda para executar nenhuma dessas atividades, logo, a ideia de cantar me fascina e ao mesmo tempo me deixa horrorizada e loucamente ansiosa. Josie comentou que algum aluno de algum instrumento queria alguém para cantar sua música nas Auditions (falei sobre elas aqui, lembram?) e perguntou se eu conhecia a música Primeiros Erros, ao que eu respondi:

-Hmmmm… pelo nome eu conheço…

-É um música de pop/rock…

-É de uma dessas bandas tipo Capital Inicial, Titãs, né?

-É, aquela “meu corpo viraria sooooooool…”

-AH, “SE UM DIA EU PUDESSE VEEEEEEEER MEU PASSADO INTEEEIRO…”

NOTEM nossos conhecimentos sobre clássicos do rock nacional RS. Abrimos a letra e demos uma mini-ensaiada, enquanto Josie me explicava que o número de apresentações deve ser menor desta vez e por isso eles estão querendo “parear” mais gente (tipo as 4540594094 parcerias que rolaram no Grammy deste ano). Bem, se ficar legal eu não me importo de cantar essa música, mas não quero perder a chance de cantar R U Mine porque ela é meu amorzinho e eu já estou ensaiando para apresentá-la, né? :~ Veremos, veremos.

Quando finalmente passamos para as musiquinhas de sempre, comecei com Morada e fiquei bastante feliz pois hoje a coisa tava com mais força, mais poder, saindo mais bonitinha e afinada! Acho que esse é o efeito ~fênix~ da vida, já que passei as 2 últimas semanas com a garganta querendo me matar (e ela ainda não está 100%, por sinal). Josie elogiou rs! Depois fizemos o começo de R U Mine e percebi o quanto preciso treinar respiração, já que aparentemente esqueci de tudo que pratiquei e fiquei morrendo sem ar e até sem voz no refrão. Preciso voltar aos ensaios domésticos, eles são essenciais demais!

Ao final da aula, eu estava satisfeita: tive 50 minutos de música, aprendizado e conversas interessantes. Além disso, o fato de Josie ter me feito aquele “convite” para cantar deu uma levantada na minha autoestima ~vocal~, afinal, eu posso não acreditar em mim o suficiente, mas existe alguém neste planeta achando que eu não vou passar a maior vergonha da minha vida caso suba em um palco rs. No momento ela pode ser uma das únicas pessoas achando isso, mas… quem sabe isso não muda no futuro? Quem sabe eu mesma não venha a acreditar?

PALAVRINHA EM INGLÊS DO DIA: “Underappreciated” = algo subvalorizado, não valorizado o suficiente (under = abaixo, appreciated = valorizado). Ou seja: aquilo que os cantores são aqui em Pernambuco. #RespeitoAoCantor

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