Minha primeira apresentação!

Não sei com o que fico mais atordoada: o fato de que, há 9 dias, eu fiz minha primeira apresentação solo desde que comecei as aulas de canto ou o fato de que finalmente estou escrevendo este post, há tempos tão sonhado. Agora que finalmente estou mais livre dos 59404954 compromissos da faculdade/formatura, posso me sentar confortavelmente em minha mesinha branca e tentar colocar em palavras tudo que se passou na minha cabeça e no meu coração no dia 20 de junho de 2015. Quer descobrir também? Então vem comigo!

Bem, o que é que se espera de uma pessoa patologicamente ansiosa 1 semana antes da sua aguardada primeira apresentação ao vivo? Sucessivas tentativas de manter a calma e não surtar até o dia do evento, lógico! Ironicamente, não foi bem assim que passei a semana antes do dia 20, afinal, tive tantas coisas para fazer que evitei ao máximo pensar no fatídico dia 20. Na segunda, tive um ensaio com a banda completa e percebemos que realmente precisávamos de um último encontro. Felipe tinha feito algumas mudanças na performance dele com a bateria e eu confesso que fiquei bastante perdida e confusa quanto a algumas entradas, o que me fez chegar um pouco tensa no ensaio extra de sexta-feira. Felizmente, consegui me acostumar com as adaptações dele e concluímos o ensaio com tudo fechadinho, sem nenhuma alteração a ser feita até o dia posterior. Ainda recebi algumas palavrinhas motivacionais do próprio Felipe, o que me ajudou a ficar mais calma (valeu, Felipe!). Logo, fui embora da escola de música com  uma ansiedade irremediável, porém uma certa certeza de que, realmente: tudo iria dar certo.

Após uma prova meio bizarra na sexta à noite, cheguei em casa e finalmente pude focar na ansiedade dos eventos do dia posterior! #blessed Deixei para fazer um último treino sozinha antes de dormir e confesso que fiquei ainda mais certa de uma coisa: não havia mais NADA a se fazer. Técnica vocal? Checked. Performance? Checked. Vibe? Checked. Look para o dia? Checked. Com o que mais eu poderia me preocupar, amigos? Agora era entregar a Deus (literalmente <3) e ir dormir, coisa que eu fiz surpreendentemente bem. No sábado, mal consegui comer. Mas uma coisa era certa: eu estava feliz.

O clima de bastidores é uma coisa interessante. Existe uma ansiedade no ar, uma tensão, uma expectativa, e cada um lida com isso da forma que pode. Eu fiquei andando pra lá e pra cá e conversei com o máximo de pessoas conhecidas possível. Ironicamente, para alguém que se diz tão antissocial, conversar com seres humanos me acalma. Outra coisa que também acalma é perceber a quantos poucos metros você se encontra do palco. Sério: a diferença entre o “por trás das cortinas” e o “espetáculo das multidões” era de 1 metro, no máximo. Isso me acalmou de algum modo, pois eu vi que não precisaria adentrar uma realidade paralela para fazer aquela apresentação. Bastava andar, e isso eu sabia fazer!

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tentandomemantercalmacomsorrisosamarelos.jpg (PS: pra quem nunca tinha visto, esta é Josie!)

Faltando uns 30 minutos para a apresentação, fiz alguns aquecimentos com Josie e treinei a música uma vez, o que me deixou ainda mais calma. Ao sair da salinha, acho que só faltavam 2 apresentações para a nossa. Depois, apenas uma. E, de repente, eu estava no palco. É difícil explicar tudo que você sente nessa hora. Mas um sentimento me marcou nesses minutos pré-show: a sensação de que era isso aí. Não tinha mais como voltar atrás, não havia mais como desistir. Ia acontecer, de um jeito ou de outro. Dando certo ou não. Eu passando vergonha na frente dos meus pais e dos meus amigos ou não.

Ainda bem que nada disso aconteceu.

Quando o primeiro acorde soou, a primeira coisa que eu pensei foi algo que poderia ser traduzido como: LASCOU. Vale dizer que alguns segundos antes eu já tinha incorporado minha vibe rock ‘n roll-girl-badass-empowered-woman (ou, em bom pernambucanês, cara de braba) e aí foi só continuar. Acho que deu algum problema na guitarra, pois senti falta de alguns acordes e por um segundo achei que íamos ter que recomeçar tudo, tanto que parei de cantar rapidamente, olhei pra Felipe, entendi que era pra continuar e fui mimbora. É muito interessante como você toma decisões em frações de segundos em situações assim, né? E, depois disso, os 3 minutos seguintes foram uma junção de: eu curtindo a música + eu me controlando pra manter a estabilidade da voz + eu tentando descobrir como fazer para segurar o microfone com as duas mãos tremendo. Isso a Globo não mostra e ninguém ensina: como é que se segura um microfone quando você tá tremendo toda, pessoal??? Como diriam meus migos crentes pentequinhas: só a graça!

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Rock ‘n roll-girl-badass-empowered-woman (a.k.a. CARA DE BRABA)

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Em um relacionamento sério com: ESTA FOTO ❤

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Batidão de cabelo SIM!

Uma coisa que eu imaginei que fosse sentir e realmente senti foi o alívio desconcertante após falar o último “R U Mine” e Josie seguir com o backing. A sensação só não foi mais libertadora pois, de fato, a apresentação ainda não tinha acabado. E, quando acabou, minha cara mostrou com toda a precisão o sentimento de “ACABOU MESMO? FOI RUIM? FOI MARROMENOS? DEU CERTO? MDS HELP”. Eu e meus coleguinhas de banda agradecemos ao público e voltamos ao anonimato, garantido pelas cortinas verdes do Teatro Beberibe. Lá atrás, a sensação era de vitória, embora o sentimento ainda fosse de nervosismo. Eu ainda estava tremendo e desacreditada. Porém, os elogios me fizeram ter um retorno suave à realidade. Meus bandmates, Josie, outros professores… e enquanto isso eu só conseguia lembrar das 54045954 vezes em que desafinei (pois sou traumatizada com isso). Bem, as pessoas que de fato assistiram à performance estavam dizendo que o negócio foi bom. Agora faltava ouvir o que as pessoas mais importantes do mundo tinham a dizer.

Tão bom se sentir amada por quem a gente ama, né? O primeiro abraço que recebi foi da minha mamãe, surpreendentemente orgulhosíssima de mim e me fazendo lembrar dos tempos em que eu me apresentava na escola/igreja e ela adorava. Sem dúvida, o melhor abraço da noite! Também recebi elogios calorosos dos meus amigos do trabalho, Dani e Elias, que ganharam meu carinho eterno com sua presença por lá. Depois, consegui sentar e, finalmente, começar a respirar após aquelas 18 horas de tensão (sim, pois começaram no dia anterior). Falei rapidamente com meus amores que foram me prestigiar: Lewis, Lipe, Thi e Carol e voltei à minha yoga particular para recuperar a sanidade emocional, tudo isso enquanto assistíamos a uma performance no mínimo bizarra dos Mamonas Assassinas e eu gritava “MEU DOCINHO DE CÔCOOOOOOOOO” em uma tentativa desesperada de voltar ao normal. Yes, I’m THAT anxious.

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Dedico este Grammy a meu pai que sempre brigou comigo quando eu cantei muito alto e a minha mãe que ainda acha que rock é coisa do demo THANK YOU EVERYBODY GOOD NIGHT

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Af mts mozzys em uma foto só ❤

Na saída, tivemos lindos momentos de fotos e sorrisos e elogios e alegria. Eu finalmente estava deixando para trás a ansiedade e começando a curtir o alívio pós-apresentação. Devo dizer, amigos: ele é MARAVILHOSO (especialmente quando, aparentemente, você foi bem rs). Saímos do Teatro, fomos comer sushi e emendamos com uma noite deliciosa de voz e violão na área de lazer aqui do prédio, com uma performance nem tão ruim de Thinking Of You. Eu estava cansada. Minha voz estava fraca. Mas, dentro de mim, havia uma serenidade boa, gostosa, tranquila. A semana caótica finalmente havia chegado ao fim e eu poderia, simplesmente, dormir. Eu só não contava que o sono seria tão bom por saber que um sonho tinha se realizado e eu tinha as fotos e os vídeos como prova irrefutável desse momento. Até hoje, 9 dias depois de tudo, eu ainda sorrio quando olho pra eles. Espero que o mesmo efeito aconteça com os caros leitores agora.

Com vocês, minha primeira apresentação:

PS1: Tem álbum no Fb com mais fotinhas da apresentação! Cliquem aqui para conferir (já deixei em “Público)!

PS2: Fiquei ainda mais certa de que preciso escrever uma crônica para falar melhor sobre todos os sentimentos relativos a esse momento. Vai ter explosão de feelings SIM (e se reclamar tem duas)!

PS3: Que saudade de escrever aqui, af! :~

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4 comentários sobre “Minha primeira apresentação!

  1. Vítor disse:

    Viiish então o dia da apresentação chegou!
    Sobre ser uma pessoa ansiosa: Sei exatamente o sentimento. Só de ler seu texto já comecei a tremer (Tô tremendo, Rosana) de pensar que daqui a pouco mais de um mês serei eu também! Mas o jeito é ensaiar e ensaiar pra ter tudo sob controle. Mesmo assim, não duvido que aquele frio na barriga e a tremedeira sejam inevitáveis.

    Ahh Manu, você se saiu super bem, de verdade! Olhando o vídeo eu nunca diria que é sua primeira apresentação. Mesmo que estivesse nervosa por dentro, você conseguiu inspirar confiança (A cara de brava e a batida de cabelo funcionaram kkkkkk). Imagino que o sentimento de “dever cumprido” depois faça tudo valer ainda mais a pena. Como sempre, seus comentários me causam identificação, então me sinto mais reconfortado kkkkk Parabéns pela apresentação! A banda também mandou muito bem!

    Vai esperando que logo vou querer as dicas pra preparação, hein? Hauehau
    Beijos, Manu!

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    • Manuela Moraes disse:

      Vítoooooooor! Como já falei: eita coisa boa comentário seu por aqui! 😀

      HAHAHA eu entendo BEM essa tremedeira! Toda vez que eu pensava no dia “20 de junho” eu já ficava nervosa e afastava o pensamento rs. Mas me conta mais sobre a sua apresentação: quando é exatamente? E será em algo tipo as audições da minha escola de música? 🙂

      Sabe que vc não é a primeira pessoa a dizer que eu não parecia que estava nervosa? E sempre fico muito feliz quando me dizem isso, 1º porque mostra que eu consegui disfarçar a ansiedade, e 2º porque mostra que eu realmente consegui entrar na vibe e ser a cantora que eu quero ser! Isso me deixa tão, mas TÃO feliz, Vítor. Já devo ter falado aqui em algum lugar: é ISSO que importa: você SENTIR o momento. Entra na vibe, começa a cantar e se joga no que vc tá sentindo. Se tudo der certo, vai ter mais alguém na plateia que vai se jogar com vc!

      Muito obrigada pelos elogios, viu? E saiba que meu melhor agradecimento é ler vc falando que meus comentários lhe causam identificação. 😉
      Ah, pode ir aguardando essas dicas pois elas vão rolar SIM! Já estou matutando as ideias aqui!

      Beijo grande, Vítor! :*

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      • Vítor disse:

        E como eu também disse: Ter os posts do Fatia para me inspirar com as suas experiências é sempre ótimo, Manu! kkkkkk

        Minha apresentação vai ser no dia 08 de Agosto, em um auditório aqui da minha cidade. É um evento da escola de música toda, então vão usar um lugar “maior”. Semana passada fizemos a última avaliação geral, e sinto que foi melhor do que a outra (a primeira), e pude controlar a tremedeira um pouco mais Huaheuae Foi bem legal, e como tinha mais umas 20 bandas, enquanto esperava nossa vez pude conversar com outras pessoas para trocar experiências, e ver a avaliação de uma das bandas. E vou dizer que foi aquele sentimento que o Fatia me transmite: De que todo mundo também tem suas inseguranças, dúvidas e suas empolgações na hora de subir no palco. O jeito é se soltar e curtir a música!

        Olha, que legal que não fui o único a sentir a segurança da sua apresentação! Eu entendo perfeitamente que você fique feliz, porque justamente admiramos aqueles artistas que sobem no palco e não tem medo de se abrir ou interpretar, mesmo que por dentro eles estejam bem nervosos. Então estar conseguindo passar confiança (e estar mais confiante por dentro) é um passo importantíssimo. Portanto, você está no caminho certo, Manu!!

        Ah, e vi o post de cima sobre o look da apresentação. Posso não ser muito bom pra opinar sobre estilo, mas digo que ficou bem apropriado para a música, a situação, e tudo mais. Sério, ficou muito bonita! *-*

        Parabéns de novo! Beijão, Manu!! 😀

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  2. Thay disse:

    Olá!! Me super identifiquei com esse momento. Fiquei SUPER nervosa ontem na minha primeira apresentação. No meu caso, ao meu ver, eu não me sai bem não. Tinha ensaiado e tudo mais, mas o nervoso foi tanto que desafinei toda. A escolha da música também não foi a ideal para o festival de canto. Enfim, estou aqui tentando me auto consolar! kkk Na minha opinião, o rock da uma animada e você foi bem. Eu cantei uma música melódica, não foi uma boa escolha. Agora minha dúvida é se me apresento no próximo festival daqui um mês ou tento me recompor antes… Sucesso pra você! Beijos!!

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