Deus está te moldando, mas você precisa agir

Interessante como alguns conceitos bíblicos são interpretados de maneiras completamente equivocadas. Um textinho fora de contexto aqui, uma leitura apressada ali, uma imaturidade espiritual acolá e pronto: de repente você acha que consegue mover objetos com a mente, afinal, “tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).

Usando um exemplo um pouco mais real e menos ficção científica, temos o crente que acha que, por Deus estar mudando seu interior através de Jesus Cristo, ele não precisa fazer mais nada. Abandonar pecados? Claro que não. Mudar de atitude? Jamais. Deixar seus velhos conceitos pra trás? Nunca. Se quebrantar e lutar contra o pecado até as últimas consequências? Coisa de crente muito “certinho”. E quando você toma coragem e vai confrontá-lo em relação a essas coisas, as respostas dele seguem os seguintes moldes:

“Ah, mas ninguém pode me julgar, afinal, todos têm os seus pecados.”

“Isso é entre Deus e eu.”

“Deus está fazendo a obra, então preciso ser paciente.”

Tudo isso é bíblico? Sim. Mas, meu amigo, você entendeu tudo errado.

O conceito de que Deus está nos moldando é bíblico, é correto e, particularmente pra mim, bastante consolador. É ele que me faz ter esperança e alivia meu fardo quando percebo que “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (Romanos 7:19). Mas isso NUNCA tira a nossa responsabilidade de trabalhar para nos tornarmos à semelhança de Cristo. No Antigo Testamento, os patriarcas, profetas e juízes chamavam o povo ao arrependimento. Nos Evangelhos, Jesus Cristo convidava as pessoas a segui-Lo. Mais à frente, Paulo escrevia cartas e mais cartas dando instruções às igrejas que ajudou a fundar.

O que tudo isso tem em comum? A ação do homem.

Deus efetua a obra da restauração da nossa identidade porque SÓ ELE poderia fazer isso; nós não podemos nos salvar. Mas podemos e devemos exercer a nossa salvação. Devemos viver a vida em abundância que Cristo já conquistou para nós. Tudo já é nosso, tudo já nos foi dado. Mas, em termos do presente tempo que vivemos nesta Terra, ainda há muito a ser feito. E olha que sou reformada e calvinista.

Um último ponto que abordarei brevemente é a questão de o crente escolher pecar ou simplesmente permanecer longe de Deus, mesmo já tendo a salvação. Tenho pra mim que tais pessoas jamais entenderam o Evangelho de verdade, ou estão frias demais para lembrar do amor e da graça que nos alcançam quando estamos mortos, sujos e podres na lama do pecado. Quem realmente entende do que foi salvo, não quer voltar para a lama. Quem se fascina pela santidade do Criador, não quer mais nenhuma relação com o Reino das Trevas.

Oremos por essas pessoas, pois as únicas coisas pelas quais vale a pena viver são exatamente aquilo que elas estão perdendo, seja por preguiça, passividade ou simplesmente pura imaturidade. Que também tenhamos paciência e perdoemos, se necessário. Isso, inclusive, faz parte do nosso papel em sermos parecidos com Ele. Como falei, sempre há algo a ser feito.

PS: Tem vídeo no canal sobre conformismo aqui e sobre Filipenses 4:13 aqui.

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