Deus não nos dá mais do que podemos suportar?

A dor, o sofrimento, a tristeza, a doença e a aflição são inevitáveis ​​neste mundo. Mas Deus nos deu uma maneira de encontrar esperança nos escombros da vida: a lamentação é como se fosse um túnel subterrâneo para a esperança.

Um livro inteiro da Bíblia é um exercício de lamentação perante o Senhor. Temos inúmeros salmos de lamentação. Então, por que atualmente não nos lamentamos mais na igreja? Por que colocamos fones de ouvido que bloqueiam o som externo sobre nossos corações, mantendo-nos ocupados para evitar a dor? Não nos ocupemos para evitar lamentar; aprendamos a lamentar corretamente.

Reaprendendo a nossa humanidade

É claro que queremos evitar o sofrimento, a aflição e o trauma, mas a realidade é que não podemos. Os efeitos de Adão e Eva provando daquela fruta ainda afetam a nós e ao mundo, como uma onda que nos alcança desde o episódio no Éden.

Todos que conhecemos e amamos retornarão ao pó. Membros da família ouvirão duras palavras de seus médicos. Grandes perdas atingirão amigos queridos. Nós iremos chorar. E fingir que podemos administrar nossos sofrimentos por conta própria não irá ajudar. Não fomos construídos para lidar com eles. Precisamos do corpo de Cristo – e precisamos do próprio Cristo, nosso Sumo Sacerdote cheio de empatia, o homem de dores, aquele que suportou nossa aflição.

Quando agimos como se pudéssemos lidar com nosso sofrimento por conta própria, cometemos idolatria – agindo como se fôssemos Deus, capazes em nós mesmos. Lamentar significa reaprender a nossa humanidade. Lamentar é admitir que não podemos lidar com isso, sabendo que precisamos do poder, misericórdia e graça de Deus. Se pudéssemos lidar com nossos sofrimentos, não precisaríamos de Jesus, sua cruz, seu poder e sua ressurreição. Lamentar é como nos afligimos e, ao mesmo tempo, não perdemos a esperança.

Mais do que você pode suportar

Você já escutou as pessoas dizendo: “Deus não vai te dar mais do que você pode suportar.” Errado. Escondido nesse provérbio barato está um senso de autossuficiência: “Eu vou conseguir”, ou “Eu deveria conseguir sozinho”. Mas o cristianismo é o abandono da nossa autossuficiência: “Deus, eu preciso de Ti!”. Seu poder se aperfeiçoa em nossa fraqueza (2 Coríntios 12:9). Para todas as vezes em que dizemos “Eu não consigo”, existe o nosso Deus que pode e o nosso Salvador que já fez.

Cristianismo significar tomar a nossa cruz, morrer com Cristo, ser ressuscitado com Cristo e viver com Cristo. Todo dia é mais do que podemos suportar. Sem Jesus, não podemos fazer nada (João 15:5), inclusive lidar com o insuportável diante de nós. Frequentemente nós iremos experimentar mais do que podemos suportar, e é por isso que precisamos que Deus seja nosso refúgio, nosso abrigo, nossa morada. O lamento nos ensina a descortinar e derramar nossos corações diante de Deus, pela fé.

Todos nós estamos sofrendo agora ou conhecemos alguém que está. Lamentar é bastante relevante neste momento. Câncer, morte, doença, mágoa em nossas famílias, traição, perda, injustiça no mundo, medos pessoais – em todos esses vales sombrios, Deus nos dá um caminho certo até si mesmo através da lamentação.

O que é lamentar?

Lamentar é a vocalização sincera do sofrimento a Deus e, muitas vezes, ao alcance de nossos irmãos e irmãs em Cristo. Abra Lamentações e ouça as vocalizações de Jeremias de sofrimento, dor e tristeza. “Mesmo quando chamo ou grito por socorro, ele rejeita a minha oração.” (Lamentações 3:8). Jeremias sente que Deus não o está ouvindo. Hoje, nós poderíamos dizer: “Quando eu oro, parece que meus pedidos não passam do teto. Eu oro e não sinto nada.”

Sincero. Desconfortável. Real.

Moisés se lamenta no Salmo 90:13: “Volta-te, Senhor! Até quando será assim? Tem compaixão dos teus servos!”. Ele não tem certeza de quanto tempo mais ele pode suportar. Ele está exausto. Por quanto tempo mais precisaremos enfrentar isso? Hoje, poderíamos orar: “Senhor, por quanto tempo mais meu amigo terá que suportar isso? Por favor, Senhor, em Tua bondade, traga seu filho rebelde para casa.” Lamentação é uma súplica pessoal – emoções e pensamentos vocalizados.

Jeremias e Moisés nos mostram que nos lamentamos não apenas para tirar as coisas do nosso peito – mas para recolocar nossos olhos em Deus.

O lamento leva ao Senhor

Em Lamentações 3, Jeremias se lembra da infalível misericórdia de Deus: “Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança.” (Lamentações 3:21-24).

Moisés se lembra do amor fiel do Senhor, sabendo que ele pode encontrar alegria sobrenatural – uma satisfação que supera todo entendimento – em meio ao seu sofrimento: “Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes. Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos.” (Salmo 90:14-15). Suplicamos a Deus que nos satisfaça nEle mesmo, aquele que deu o Seu único Filho pelos nossos pecados, para que, pela fé Nele, possamos ter a vida eterna.

A lamentação bíblica não nos deixa perdidos; ela nos leva de volta ao Senhor. A satisfação na esperança do Evangelho nos sustenta em nosso sofrimento. Processamos nossa dor e nos lembramos do amor firme do Senhor. Lembre-se do seu Salvador crucificado e ressurreto. O túmulo vazio serve como uma lápide para todos os seus sofrimentos. Um dia, em um piscar de olhos, ele fará novas todas as coisas. A trombeta está sendo afinada agora.

Até lá, vocalize seu sofrimento a Deus e coloque sua esperança nEle.

Traduzido do original “You Cannot Handle Your Pain“, escrito por J.A. Medders e publicado aqui com a autorização do autor.

Crédito da imagem aqui.

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2 comentários sobre “Deus não nos dá mais do que podemos suportar?

  1. Ana Patrícia do Amaral disse:

    Uau, nunca tinha parado pra pensar sobre isso. Acreditava sim que Deus não nos dá além do que podemos suportar, mas esse texto me fez refletir. Parabéns Manu!

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  2. Elionardo Almeida disse:

    Só discordo da expressão com relação ao tema qdo diz que é uma “força de expressão”, e não é . É um texto bíblico, 1 Co 10.13 que se refere as tentações humanas, ou seja, a revolta da natureza pecaminosa diante da santidade de Deus proposta para os que o servem.

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