Eu encontrei o amor que eu estava procurando

E hoje eu vejo isso claramente.

Hoje eu vejo que somos felizes porque nos encaixamos. Porque encontramos exatamente o que estávamos procurando, um no outro. Queríamos o fim das noites solitárias. Ansiávamos pela companhia que não iria embora. Desejávamos o primeiro beijo de amor das nossas vidas. E não encontraríamos os mesmos desejos em nenhuma outra pessoa.

Tinha que ser nós dois.

Hoje eu vejo que estamos em uma dança, e ela possui vários nomes. A Dança do Primeiro Amor. A Dança do Amor na Juventude. A Dança da Paixão Sem Fim. A Dança do Romance. Quando eu fecho os olhos, consigo me visualizar durante esse ato. Eu estou com vestes brancas e um lenço branco está em minhas mãos. Eu danço livremente, sem amarras, sem prisões. Eu olho para você e, nesse momento, a ficção se torna realidade, pois as lágrimas ameaçam vir. O interessante é que você não está nesse sonho. Eu vejo seu corpo. Vejo seu cabelo. Vejo seus pés próximos aos meus. Mas não vejo seu rosto.

Esse sonho é só meu.

O furacão dos primeiros meses passou. Ele veio, transformou tudo e me fez fazer coisas que, há alguns meses, eu não me julgava capaz. Me apaixonar. Me entregar. Amar. Me colocar na linha de frente para uma quantidade assustadora de sofrimentos e, mesmo assim, de alguma forma, não preferir estar em nenhum outro lugar. E agora que a calmaria veio, eu voltei a me sentir como eu mesma. Eu coloquei os pés no chão. Eu saí do furacão, um pouco tonta, um pouco descabelada. Parei, olhei e percebi que não estava mais sozinha. Agora, há uma pessoa segurando a minha mão e, ao que parece, ela não a soltou durante os ventos fortes e impetuosos.

E é essa pessoa que eu quero.

O vulto que não soltou minha mão durante a inconstância e a instabilidade de tempo e espaço. Aquele que desejava o mesmo que eu e, por isso, pode fazer parte do meu eu. Meu parceiro nessa dança tão singela, em câmera lenta e filtros cor de por do sol. Nos meus sonhos, eu não te vejo. Mas isso é só porque eu prefiro olhar nos teus olhos dentro da realidade, onde você é de verdade, e não só por quem eu esperei a minha vida inteira.

2015-12-22 07.45.25

Reflexão: Ser afinada é o suficiente?

Por muito tempo eu pensei que cantar se resumia a ser afinada ou não. Talvez por não ter convivido com pessoas do meio musical durante meus anos de formação, talvez por pura desinformação mesmo. Se alguma vez eu te escutei na infância ou adolescência e achei que você cantava mal, eu entendi que o motivo era sua falta de afinação. E se eu mesma era conhecida por não cantar bem, meu problema, obviamente, era não ser afinada.

Lembro-me da primeira vez em que alguém falou um aspecto da minha voz em que eu precisava melhorar e que não era a afinação:

-Manu, seria bom se você melhorasse a impostação.

Mas o que seria isso? Acredite: já perguntei a milhares de pessoas e, literalmente, cada uma tem uma opinião diferente. A minha diz que impostar é você saber “colocar” a voz pra cantar e, para entender isso, basta perceber que ninguém canta do jeito que fala. Impostação também tem a ver com potência e clareza da voz, mas vou parar com a aulinha de canto ~edição relâmpago~ por aqui para percebermos o seguinte fato:

Nesse instante, eu soube que afinação não era tudo.

Até porque, a partir do momento em que eu conheci melhor minha voz, afinação deixou de ser algo inalcançável pra mim. Ou seja: aquilo que eu sempre entendi que não tinha, na verdade, era apenas uma questão de análise e experiência. Eu podia ser afinada. E com o passar do tempo, fui aprendendo que havia não só um como 45495054905945 aspectos além da afinação. Respiração. Dicção. Trejeitos. E mais tudo aquilo que se passa na minha cabeça quando decido que vou abrir a boca e cantar em vez de falar.

Hoje eu estava cantarolando Wildest Dreams enquanto esperava a professora começar a aula e de repente notei que minhas duas colegas estavam olhando pra mim. Uma delas disse:

-Eu vou tirar a professora da frente e te colocar lá.

Ontem uma outra colega disse “Sua voz é linda.” E eu poderia citar outros elogios e comentários positivos que venho recebendo desde que decidi mostrar minha voz para o mundo. Mas o objetivo deste texto passa longe de algo relativo a egocentrismo e arrogância. Ironicamente, o que me fascina é justamente o fato de que, para as pessoas em geral, eu já sou boa; mas, na minha opinião, não. Enquanto Renata diz que minha voz é linda, eu estou preocupada com a impostação que não foi tão boa. Enquanto Vanessa me diz para subir em um palco, eu fico nervosa só de pensar no simples fato de outros seres humanos me escutando. Enquanto Maria me diz que canto bem, eu me preocupo pois minha dicção ainda precisa melhorar.

Eu gostaria que fosse tão simples. Seria lindo se minha concepção infantil de que cantar bem = ser afinada fosse realidade. Mas, por outro lado, também seria fácil, e eu já introjetei a ideia de que no que diz respeito ao canto, não existem caminhos fáceis. Não há atalhos nem caronas. Usando uma analogia bíblica, a porta é estreita e poucos são os que trilham o caminho árduo que leva até verdes pastagens. No meu caso, esse paraíso é a simples realização de um sonho inexplicável: escutar algo lindo através da minha voz. Não sei como, nem quando, nem em que circunstância esse desejo foi concebido, mas ele é forte demais para eu ignorá-lo. E grande demais para se limitar a um acerto de notas.

Um novo caminho e as mesmas cordas

Amanhã eu começo no estágio novo.

Hoje fui levar uma tonelada de papeis para registrar meu ingresso como estagiária do TRF da 5ª Região. Estando lá, já pude conhecer meu novo chefe, minha nova sala, meus novos colegas e o novo bebedouro do qual beberei água todos os dias.

Eu morro de medo de mudanças.

E sempre fui assim, desde criança. Logo, por mais que eu tente me convencer de que já estagiei duas vezes, já passei por isso antes e tenho 23 anos na cara e algum conhecimento sobre a vida, não dá: o estômago aperta e me faz pensar nas minhas bolinhas homeopáticas que, erradamente, só tomo quando o medo de não conseguir se torna mais forte que o normal.

Eu não sei se vou conseguir.

Meu chefe nunca teve uma estagiária e eu aparentemente nunca fiz o que vou precisar fazer a partir de amanhã. Eu nunca tive um chefe homem, aliás, e isso, por algum motivo, não colabora com a minha ansiedade. Além de tudo isso, está ocorrendo uma perda pra mim: eu não tenho mais o controle do horário das minhas tardes. Desde o dia 07 de maio de 2013 (a.k.a. meu aniversário), minhas tardes se resumem a voltar da faculdade e fazer o que eu bem entender ou o que meu sono me permitir. Tem sido assim e não será fácil sair da faculdade e, em vez de voltar para casa com minha melhor amiga, mudar de caminho e ir parar num prédio que eu ainda nem sei localizar no mapa.

Tudo isso é necessário.

A diferença entre amanhã e meu primeiro dia de trabalho no estágio anterior é apenas uma: eu reconheço que essas mudanças precisam acontecer. Eu preciso estagiar para me formar na faculdade. Eu preciso trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Eu quero me sentir útil como há algum tempo não me sinto. Eu anseio desesperadamente por poder voltar a planejar, imaginar, sonhar. E realizar.

No meio dessa confusão de medos, inseguranças e alguma maturidade, cheguei em casa após entregar os documentos, peguei meu violão e, com a perna apoiada na cama, toquei alguns dos pouquíssimos acordes que sei, da maneira estranha e mediana que conheço. No meio de um mundo que está prestes a mudar, alguma coisa permanece. No meio de um caminho novo pra mim, algo me ancora, me prende ao que é certo e me traz segurança. Algo me lembra de que, não importa onde ou em que ocupação eu esteja, Manuela continuará sendo Manuela.

É maravilhoso o sentimento de pertencimento a si mesmo.

A música e o amigo silencioso

Se você me perguntar o que eu mais amo fazer, possivelmente eu responderei: cantar.

Música foi uma das primeiras coisas que me interessou quando eu ainda não tinha muita consciência das coisas. Minha primeira recordação que demonstra isso é de 1998, quando eu tinha 7 anos e me gabei para os meus pais por ter decorado uma parte da música de abertura da novela Pecado Capital. Até hoje me sinto uma pessoa especial quando decoro uma música particularmente difícil.

Aos 9 anos, quando ainda não havia wi-fi, smartphones e notebooks na minha vida, minha diversão ao almoçar era escutar música. Eu costumava alternar com minha babá mais amada: um dia ela escolhia o CD, no outro dia seria minha vez. Uma das memórias mais fortes e queridas da minha infância.

Até os meus 14 anos, eu só escutava músicas “gospel”. Não, não é brincadeira. E, bem ou mal, isso só mudou quando eu descobri a MTV. Uma das primeiras músicas que escutei nessa nova “fase” foi Hollaback Girl, da Gwen Stefani, e foi aí que descobri meu amor por música pop. Mas foi também nessa época que Speed of Sound, do Coldplay, surgiu pra mim, e eu determinei que seria fã dessa banda, decisão que dura até hoje. A MTV não só me apresentou a artistas como me ensinou a respeito da própria história da música; quanto a isso, sempre serei grata ao finado canal.

Aos 15 anos, uma nova atividade relacionada à música se mostrou para mim: composição. Não, eu não conheço composição musical em termos técnicos. Minhas letras são basicamente divididas em versos, refrões, pontes e… fim. Minhas melodias não são boas. Mas escrever músicas é uma coisa que eu guardo comigo e que se revela em momentos imprecisos: talvez no meio de uma aula, talvez no meio do banho, talvez numa madrugada melancólica. Esse pequeno prazer já me proporcionou material para umas 20 composições.

Aos 22 anos, tudo mudou. Eu percebi que não conseguiria mais só escutar música; eu precisava fazê-la. Então fiz o que qualquer pessoa faria: comprei um violão e fui aprender sozinha. Hoje, 8 meses depois, eu ainda não toco bem, não sei segurar o violão corretamente e nem me peça para fazer uma pestana. Mas quando pego meu baby e toco músicas em GDEmC, posso jurar que tudo fica mais lindo, colorido, fácil. Melhor.

E em meio a todas essas épocas e anos, uma coisa permaneceu: cantar. Cantar foi uma das primeiras coisas que eu aprendi a fazer e jamais parei. Não, nunca fiz aulas. Mas a grande beleza da coisa toda é justamente o fato de que, quando se trata de canto, ele simplesmente acontece. É involuntário, incontrolável. E a boa notícia é que, além disso, ele é ilimitado, e é por isso que pretendo tê-lo na minha vida para sempre, seja através de uma carreira propriamente dita, um hobbie ou cantorias desafinadas debaixo do chuveiro.

O canto não depende de dinheiro, status ou posição social para acontecer. Ele simplesmente existe, e, se você for abençoado como eu, já o tem na sua vida independente de qualquer coisa. Espero que isso seja verdade, caro leitor. Porque, uma vez na sua vida, ele jamais irá embora. O canto é um amigo silencioso que, quando se manifesta, tem um poder magnífico, arrebatador. E é esse poder que quero experimentar todos os dias até o fim.