A verdadeira razão pela qual não lemos a Bíblia

Através do meu trabalho com a Christian Standard Bible [n.t. uma tradução da Bíblia em Inglês contemporâneo], encontrei algumas estatísticas sobre leitura bíblica: 88% das famílias americanas possuem uma Bíblia, mas apenas 37% das pessoas leem uma vez por semana ou mais. As pessoas responderam que não leem suas Bíblias porque não têm tempo suficiente e lutam para entender as palavras.

Essas duas frustrações são compreensíveis e todos nós lutamos com elas. Porém, seriam elas as verdadeiras razões pelas quais as pessoas não estão lendo suas Bíblias?

A raiz do problema

Quando você para para pensar, deveríamos ficar realmente entusiasmados com a leitura da Bíblia. O Deus do universo nos deu sua Palavra. Ele poderia ter desistido quando O desobedecemos no Jardim, mas Ele não o fez. Ele nos procurou e falou conosco (Gênesis 3). Saber que nosso Deus gracioso nos deu sua Palavra deveria nos fazer desejar lê-la, mas, muitas vezes, isso não é suficiente.

Não lemos a Bíblia regularmente porque não entendemos como ela funciona. Muitas vezes pensamos que ela fala sobre nós e que a abertura da Escritura só é útil quando pensamos que precisamos dela. Não compreendemos o quão maravilhosa ela é.

Palavra que vive

Não devemos ler a Bíblia como fazemos com qualquer outro livro ou tratá-la como uma fonte de entretenimento. Em vez disso, devemos considerar o que torna a Escritura especial. Paulo diz a Timóteo:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra. (2 Timóteo 3:16,17)

Observe os verbos: a Escritura é inspirada por Deus e é útil. Não é que a Escritura foi inspirada, mas agora não é tão relevante. Ela foi, é e será inspirada e útil. Junte esta ideia com as poderosas palavras de Hebreus:

Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração. Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas. (Hebreus 4:12,13)

Mais uma vez, a Palavra de Deus é viva e é eficaz e é capaz de julgar os pensamentos do coração. Se Jesus é a Palavra de Deus (João 1:1) e Ele não está morto, então o poder da Palavra de Deus nas páginas da Escritura também não está morto.

Palavra que inspira a adoração

Através da revelação do Espírito Santo, nossos olhos espirituais são abertos à verdade sobrenatural e vivificante da Palavra viva de Deus. Quando abrimos suas páginas, a Bíblia fala conosco e nos chama a “provar e ver que o Senhor é bom” (Salmos 34:8). Em vez de ir à nossa Bíblia por uma migalha de sabedoria para nos conduzir ao longo do dia, devemos abri-la prontos para adorar o Deus que nos encontra lá.

Quer saber o que Deus pensa? Não apenas o que ele pensou, mas o que ele pensa? Abra sua Bíblia. O Espírito vive dentro de você para ajudá-lo a entender a vontade e o caráter de Deus, para ajudá-lo a provar e ver algo novo que você nunca viu antes. Uma passagem que você leu há cinco anos pode falar com você de forma diferente hoje, porque o Deus vivo fala com você através de sua Palavra viva, aqui e agora.

O Verbo que chamou a criação à existência e encheu os pulmões de Adão com oxigênio é a mesma Palavra que cria vida dentro de você. Ele ainda está falando com você porque você foi criado para Ele, e não vice-versa. Quando a leitura da Bíblia é só sobre você, ela se torna obsoleta, como um pão adormecido e duro. Mas quando você ouve de Deus e é atraído para adorá-lo em toda a sua glória, a leitura bíblica é o pão fresco da vida.

 

Por que não lemos nossas Bíblias? Porque nos esquecemos que a Palavra de Deus está viva. Abra a Bíblia não apenas para se inspirar, mas para exultar no Deus que fala.

Texto original: The Real Reason We Don’t Read Our Bibles

Deus está te moldando, mas você precisa agir

Interessante como alguns conceitos bíblicos são interpretados de maneiras completamente equivocadas. Um textinho fora de contexto aqui, uma leitura apressada ali, uma imaturidade espiritual acolá e pronto: de repente você acha que consegue mover objetos com a mente, afinal, “tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).

Usando um exemplo um pouco mais real e menos ficção científica, temos o crente que acha que, por Deus estar mudando seu interior através de Jesus Cristo, ele não precisa fazer mais nada. Abandonar pecados? Claro que não. Mudar de atitude? Jamais. Deixar seus velhos conceitos pra trás? Nunca. Se quebrantar e lutar contra o pecado até as últimas consequências? Coisa de crente muito “certinho”. E quando você toma coragem e vai confrontá-lo em relação a essas coisas, as respostas dele seguem os seguintes moldes:

“Ah, mas ninguém pode me julgar, afinal, todos têm os seus pecados.”

“Isso é entre Deus e eu.”

“Deus está fazendo a obra, então preciso ser paciente.”

Tudo isso é bíblico? Sim. Mas, meu amigo, você entendeu tudo errado.

O conceito de que Deus está nos moldando é bíblico, é correto e, particularmente pra mim, bastante consolador. É ele que me faz ter esperança e alivia meu fardo quando percebo que “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (Romanos 7:19). Mas isso NUNCA tira a nossa responsabilidade de trabalhar para nos tornarmos à semelhança de Cristo. No Antigo Testamento, os patriarcas, profetas e juízes chamavam o povo ao arrependimento. Nos Evangelhos, Jesus Cristo convidava as pessoas a segui-Lo. Mais à frente, Paulo escrevia cartas e mais cartas dando instruções às igrejas que ajudou a fundar.

O que tudo isso tem em comum? A ação do homem.

Deus efetua a obra da restauração da nossa identidade porque SÓ ELE poderia fazer isso; nós não podemos nos salvar. Mas podemos e devemos exercer a nossa salvação. Devemos viver a vida em abundância que Cristo já conquistou para nós. Tudo já é nosso, tudo já nos foi dado. Mas, em termos do presente tempo que vivemos nesta Terra, ainda há muito a ser feito. E olha que sou reformada e calvinista.

Um último ponto que abordarei brevemente é a questão de o crente escolher pecar ou simplesmente permanecer longe de Deus, mesmo já tendo a salvação. Tenho pra mim que tais pessoas jamais entenderam o Evangelho de verdade, ou estão frias demais para lembrar do amor e da graça que nos alcançam quando estamos mortos, sujos e podres na lama do pecado. Quem realmente entende do que foi salvo, não quer voltar para a lama. Quem se fascina pela santidade do Criador, não quer mais nenhuma relação com o Reino das Trevas.

Oremos por essas pessoas, pois as únicas coisas pelas quais vale a pena viver são exatamente aquilo que elas estão perdendo, seja por preguiça, passividade ou simplesmente pura imaturidade. Que também tenhamos paciência e perdoemos, se necessário. Isso, inclusive, faz parte do nosso papel em sermos parecidos com Ele. Como falei, sempre há algo a ser feito.

PS: Tem vídeo no canal sobre conformismo aqui e sobre Filipenses 4:13 aqui.